Acusação diz que Danilo Paes descumpre ordem judicial e quer filho do médico de volta à prisão

27

O advogado Carlos André Dantas, contratado como assistente de acusação do Caso Aldeia, entrou com pedido de revogação da liberdade provisória concedida a Danilo Paes, acusado de envolvimento na morte do próprio pai, o cardiologista Denirson Paes, em maio de 2018.

Solto desde o dia 21 de dezembro, após pagar fiança de R$ 5 mil, Danilo estaria descumprindo os termos impostos pela Justiça, afirma Carlos André Dantas. Através do advogado de defesa, Danilo estaria tentando reatar o contato com o irmão Daniel Paes.

Danilo também informou à Justiça que estaria na casa de Aldeia, onde aconteceu o crime. Mas o tabelião do Cartório de Camaragibe compareceu ao imóvel e fez uma ata notarial atestando que não tem ninguém residindo no local. “A justiça não sabe onde Danilo Paes está morando. É do dever do réu, quando solto, atualizar o endereço na secretaria da Vara. No entanto ele se apresentou e mentiu”, afirma Carlos André Dantas.
Em mensagem enviada pelo advogado de defesa, Rafael Nunes, ao também filho de Denirson – Daniel – é informado que Danilo estaria na casa de um amigo, diferente do local informado à Justiça.

Na decisão da juíza da Primeira Vara Criminal da Comarca de Camaragibe, Marília Falcone, foi determinado que Danilo terá que comparecer mensalmente em juízo entre os dias 01 e 05 de cada mês para justificar suas atividades. Também proibiu Danilo de manter contato com as testemunhas, determinou que ele deve se recolher no período das 22h às 6h e entregar o passaporte no prazo de cinco dias após sua soltura.

O pedido de revogação da liberdade provisória foi protocolado na última segunda-feira (7) e deve ser analisado pela juíza Marília Falcone.

Entenda o caso
Em meados do último mês de junho, teve início a investigação do desaparecimento do médico cardiologista Denirson Paes da Silva, 54 anos. A esposa dele, a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes, 55, alegou, em Boletim de Ocorrência registrado no dia 20 de junho que o marido teria viajado para o exterior e não havia retornado.

A delegada Carmem Lúcia desconfiou do envolvimento dos familiares no desaparecimento do médico e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam, em um condomínio de luxo localizado em Aldeia, Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife (RMR).

Na busca policial, em 4 de julho, foram encontrados os primeiros restos mortais do médico na cacimba da residência. Para a polícia, havia indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do cadáver de Denirson.

Em 5 de julho, Jussara e Danilo foram presos temporariamente suspeitos de ocultação de cadáver. Danilo foi encaminhado para o Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, também na RMR. Jussara, por sua vez, foi levada para a Colônia Penal Feminina do Recife.

Os três pedidos de habeas corpus feitos pela defesa de Jussara e Danilo foram negados. No último dia 20 de agosto, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou asfixia por esganadura como a causa da morte do cardiologista. Na última quarta-feira (29), o inquérito foi concluído e remetido pela delegada Carmem Lúcia ao Ministério Público de Pernambuco, também solicitando a prisão preventivamente da esposa e do filho, que foram indiciados por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

No fim de agosto, a Polícia Civil de Pernambuco apresentou a conclusão do inquérito do caso, que foi enviado e aceito pelo Ministério Público. Jussara e Danilo foram apontados como culpados de matar Denirson por esganadura e jogar o corpo do médico na cacimba da casa. Segundo o inquérito, Jussara descobriu uma traição do marido no mesmo dia que o matou. Jussara segue detida na Colônia Penal do Bom Pastor, enquanto Danilo teve revogada, em dezembro, a prisão provisória.

Deixe seu Comentário!
Anuncie