Advogado de suspeitos de matar médico sugere que rapaz seria bipolar

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Um novo elemento será anexado aos autos pela defesa da da farmacêutica Jussara Rodrigues da Silva Paes, 54, e do engenheiro civil Danilo Paes, esposa e filho do médico Denirson Paes da Silva e suspeitos do seu assassinato, esquartejamento e ocultação do corpo: o rapaz de 23 anos, recém formado pela Universidade Federal de Pernambuco, estava fazendo uso de medicamentos psiquiátricos. Os advogados procuram o psiquiatra que receitou os remédios para que se possa atestar se Danilo sofria com algum transtorno e saber qual seria o diagnóstico. Os criminalistas também estão reunindo a documentação para os pedidos de habeas corpus.

Preso temporariamente desde a última sexta-feira no Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), assim como a mãe, Jussara, o jovem estaria usando medicamentos como Cloridrato de Trazodona, Melatonina, Cloridrato de Venlafaxina e Oxalato de Escitalopram. “Eu não sei o que Danilo tem, se é uma bipolaridade, mas tudo isso são remédios controlados. Vamos entrar em contato com o médico, será um depoimento fundamental”, comentou o advogado de defesa, Alexandre Oliveira.

Com relação às drogas listadas, a Melatonina é um hormônio sintético, vendido sem prescrição, que ajuda no sono. As outras são da família dos antidepressivos. A defesa continua sustentando a inocência dos suspeitos, especialmente a de Jussara, e ambos permanecem alegando inocência.

“Eu perguntei a ela: ‘será que em algum momento lá ele (Danilo) não saiu de si e brigou com o pai? E ela (Jussara) disse: ‘na minha frente, isso não aconteceu nunca’. Talvez possa ter acontecido quando ela estava dormindo, não sei. Isso a polícia vai ter que investigar”, disse Oliveira. O advogado deve entrar com os pedidos de habeas corpus ainda nesta terça-feira (10).

Um fato, no entanto, chama atenção. Uma fonte ouvida pela reportagem informou que Danilo buscou ajuda psiquiátrica há cerca de um mês, coincidentemente no mesmo período que o pai Denirson teria desaparecido: foram uma consulta e um retorno ao consultório, apenas.

Transtorno psiquiátrico e inimputabilidade
Um dos maiores psiquiatras forenses do Estado, o médico Feliciano Abdon, comentou que a bipolaridade não é condição direta para a inimputabilidade de uma pessoa envolvida em um crime. “O bipolar só se torna inimputável se ele estiver em crise, em mania ou depressão profunda. Mas há períodos em que o bipolar está estável”, comentou.

O psiquiatra lembrou do caso da alemã Jennifer Kloker, morta pela sogra Delma Freire, em 2010, em que a acusada apresentou à polícia e à Justiça a justificativa de transtorno de personalidade na tentativa de escapar da cadeia. “Ela chegou com um diagnóstico de bipolaridade, mas eu derrubei isso e ela continua presa”, relembrou. Para ele, não haverá dificuldade de um perito hábil desvendar se Danilo tem ou não doença mental.

Ainda sobre bipolaridade, o psiquiatra Tiago Queiroz, também ouvido pela reportagem, comentou que, de forma típica, o transtorno não provoca comportamentos de violência, mas oscilações de humor que vão da depressão à euforia. “A bipolaridade pode alterar a capacidade do juízo da pessoa se ela está em crise. O quanto da capacidade é alterada, é necessária avaliação de um médico porque o transtorno pode ter um quadro de psicose, algo parecido com o que se tem na esquizofrenia”, explicou. A capacidade de planejar e discernir sobre ato de violência também depende de uma avaliação acurada de um médico no dia em questão.

Boletim de ocorrência
No último dia 20 de junho, Jussara e a irmã de Denirson, Cleonice Paes da Silva, foram à Delegacia de Camaragibe para registrar boletim de ocorrência pelo desaparecimento do médico. Na ocasião, Jussara relatou que o marido teria viajado para os Estados Unidos e que tinha retorno programado pro dia 10 de junho. No entanto, o boletim de ocorrência registra que a farmacêutica levou o passaporte de Denirson, que foi usado para geração da ocorrência.

Parentes confirmaram que Cleonice acompanhou a cunhada à delegacia, naquele dia, e que Jussara teria resistido a prestar queixa pelo desaparecimento de Denirson, alegando que poderia prejudicar o médico no trabalho. Então, o filho caçula do casal, Daniel, teria dado o ultimato: se a mãe não procurasse a política, ele iria. A família do médico desconfiou do sumiço, mas não cogitava que Danilo e Jussara pudessem estar envolvidos. “A suspeita da polícia pegou todo mundo de surpresa”.

Outros elementos
Fonte ouvida pela reportagem relatou que o corpo não teria sido queimado, como relatado à Imprensa pela investigação, mas que teria sido “corroído” pela grande quantidade de cloro jogado na cacimba de 25 metros de profundidade onde restos mortais humanos foram encontrados na quarta-feira, 4 de junho, na casa da família, localizada no condomínio Torquato Castro, no quilômetro 13 da Estrada de Aldeia, Camaragibe. Quando um funcionário chegou para limpar a piscina, estranhou que o galão de cloro estava quase no fim.

Sobre a suspeita do envolvimento de uma terceira pessoa no crime – conforme publicado pela Folha de Pernambuco na última semana -, esta seria um homem residente também em Aldeia que foi chamado para derrubar uma pequena construção que Denirson usava como depósito, nos fundos no terreno, cuja parte da metralha também foi jogada na cacimba. Esse suposto homem já teria sido citado nos depoimentos, mas ainda não foi encontrado.

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