Alunos de medicina da UPE se queixam de abusos no estágio

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Diante das reclamações de alunos da Universidade de Pernambuco (UPE) sobre assédio moral no estágio, o coordenador do internato da unidade, José Carneiro Leão Filho, foi ao Conselho Regional de Medicina (Cremepe) pedir providências para diminuir os constrangimentos que estudantes estariam sofrendo em hospitais ligados universidade e ao Estado. A conduta seria uma prática “comum” por parte de médicos, residentes e até mesmo preceptores (profissionais que ajudam no ensino). O Cremepe estuda medida para reprimir tais excessos.

“Não é um problema novo. Desde a minha época de estudante, já existia. Mas agora os estudantes estão reclamando mais, querendo que isso mude”, conta José Carneiro. Os problemas estariam acontecendo em inúmeros centros médicos, como Procape, Cisam e Hospital Oswaldo Cruz – vinculados à UPE; o Hospital das Clínicas, de responsabilidade da Universidade Federal (UFPE); e as unidades ligadas ao Governo de Pernambuco, como os hospitais da Restauração e Getúlio Vargas. Não há uma denúncia formalizada pela inexistência de nomes ou fatos específicos, segundo o coordenador, mas há a necessidade de coibir a conduta.

A ideia é endossada por uma estudante da UPE, que pediu para não ser identificada. “Quando metade da equipe de estagiários estava de férias, eu e mais cinco tivemos que dar conta do trabalho. Fui me queixar e me intimidaram.”

Busca de soluções

O presidente do Cremepe, André Dubeux, elencou as possíveis medidas a serem tomadas. “Estou vendo se faremos reuniões com cada hospital para estabelecer um plano de trabalho que minimize os assédios”, afirma.

A advogada trabalhista e tesoureira da OAB-PE, Sílvia Nogueira, alerta que excesso de trabalho não caracteriza assédio. “Mas a cobrança de metas que se sabe que são inatingíveis ou que excedem o limite do estágio, sim”, esclarece. Sílvia acredita que o caso deveria ser denunciado ao Ministério Público do Trabalho (MPT-PE).

Até o fechamento desta edição, a UPE e a UFPE não se manifestaram sobre o assunto. A Secretaria de Saúde (SES) repudiou qualquer forma de assédio moral e se colocou à disposição para apurar o caso.