Ambulantes: abandono e incerteza no Centro

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Popularmente conhecido como Camelódromo da Dantas Barreto, no Centro do Recife, o Calçadão dos Mascates exibe hoje espaços subutilizados e, em parte de sua estrutura, um ponto de venda de drogas. Comerciantes e pedestres que passam pelo local se queixam da situação, uma vez que o equipamento poderia estar operando plenamente para o seu propósito original, que é abrigar os trabalhadores informais.

A reportagem da Folha de Pernambuco visitou o empreendimento e flagrou, ainda, deterioração e acúmulo de lixo. Resultado de anos de abandono, enquanto outros pontos da Cidade sofrem com o abarrotamento de ambulantes, como a avenida Conde da Boa Vista. Com pouco mais de um quilômetro de extensão, o Camelódromo tem capacidade para receber cerca de mil boxes. Ele foi inaugurado em 1994, pelo então prefeito Jarbas Vasconcelos. As estruturas próximas ao Pátio do Carmo são bem ocupadas e movimentam o centro comercial. Mas, próximo à praça Sérgio Loreto, a sensação é de insegurança para os frequentadores.

“Tem uma ‘feira do troca’, com produtos que nós sabemos que por vezes são roubados. Essa área é bem esquisita”, relata uma vendedora, que preferiu não se identificar. Procurada, a Polícia Militar informou, por meio de nota, que “o Centro do Recife continua sendo prioridade e que mantém o policiamento em constantes rondas e abordagens, inclusive na avenida Dantas Barreto”. O policiamento é realizado por equipes a pé, em viaturas, motopatrulhas e o recobrimento do Grupo Tático de Apoio Tático Itinerante (GATI). “A PMPE ainda realiza Operações Conjuntas constantemente neste bairro e obtem bons resultados de prisões e apreensões de drogas”.

Enquanto o espaço sofre com as consequências da ociosidade, mais de cem ambulantes aguardam ordenamento e realocação na Conde da Boa Vista. O último levantamento é de 2014, quando foram cadastrados 94 homens e mulheres que trabalham na via. “Mas esse número já triplicou. Só na outra calçada apareceram 50 novos comerciantes”, disse Edvaldo Gomes, 47 anos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal do Recife (Sintraci). Ele diz que a ineficiência da Prefeitura do Recife (PCR) fez com que a própria classe se organizasse para evitar a superlotação das calçadas da Conde da Boa Vista. “Fica um espacinho de nada entre um comerciante e outro, aí já chega alguém querendo colocar. E aí a gente explica que não dá, que não pode ser assim.”

Para ele, a saída mais viável é um ordenamento que garanta o sustento desses trabalhadores, assim como a existência das lojas do entorno. “Se você for ver, tiraram os informais da rua da Palma, por exemplo, e muitas lojas fecharam, porque as pessoas param de transitar por ali. É preciso ordenar, padronizar, mas não tirar a gente daqui”, ressalta. Os pedestres, apesar das dificuldades de locomoção, acreditam que os ambulantes fazem parte da cultura do Centro. “É bom a gente não precisar se deslocar muito atrás de um produto. O ruim é que não conseguimos andar. Por vezes, temos que ir para a rua. É preciso ter ordenamento”, diz.

O secretário de Mobilidade e Controle Urbano da PCR, João Braga, não soube precisar uma data para uma solução para a área. “Nós temos um problema grave na Conde da Boa Vista. Não é fácil esse tipo de intervenção, mas temos a ideia de que é preciso operacionalizar para este ano.” Ele explica que a autarquia possui três terrenos na rua da Saudade com a 7 de setembro, para onde parte desses ambulantes seria deslocada. Mas que, por falta de dinheiro, as obras foram interrompidas. “É algo que vamos completar o mais breve possível, porque falta pouca coisa. Nós vamos levar todas as bancas cadastradas de frutas. Já vai resolver esse problema.”

De acordo com Braga, a ideia é que no local tenha, também, uma praça de alimentação. “Nós temos uma ideia de usar uma das áreas para fazer uma praça de alimentação. E quando tivermos dinheiro, talvez no ano que vem. Já tem o terreno.” Quanto ao espaço ocioso da Dantas Barreto, ele explica que “não é fácil fazer esse trabalho. Dizer ‘esse aqui vai pra lá’ e pronto. O sétimo e sexto módulo estão desocupados. O resto está ocupado. A gente vai montar um projeto para a Dantas Barreto, mas para ser operado apenas no ano que vem.”

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