Ambulantes denunciam retaliações e ‘sala da tortura’ no Metrô do Recife

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O comércio informal em transportes coletivos, embora não seja permitido pela legislação, é comum no Recife e Região Metropolitana há décadas. A situação, no entanto, foi intensificada pela crise econômica. A Folha de Pernambuco foi até o Metrô do Recife para acompanhar de perto e terminou se deparando com situações ainda mais sérias do que a livre entrada de ambulantes nos vagões. Os vendedores informais relataram abuso de poder por parte dos fiscais da CBTU e denunciam a existência de um espaço apelidado por eles de “sala da tortura”, onde dizem sofrer agressões físicas e verbais.

Vendedores de chocolate, bolo de rolo, água, pipoca, picolé e aparelhos variados enxergam o comércio informal como única forma de sustento neste momento em que, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pernambuco tem a maior taxa de desemprego do Brasil.

“Eles trancam a gente na sala com mais de dez vigilantes, insultam a gente, dão tapas e depois de fazerem o que querem, confiscam os nossos produtos”, denunciou um dos vendedores ambulantes, que preferiu não se identificar por medo de represálias.

Outro lado
Em nota, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informou que “não tem nenhum registro de denúncia nesse sentido nem na ouvidoria nem no serviço do Metrô Denúncia”, mas afirmou que iria apurá-la internamente. Sobre o comércio informal, informou que “a fiscalização é realizada em parceria com a Polícia Militar e a Prefeitura do Recife, através da Dircon, órgão que realiza a apreensão das mercadorias” e que esse procedimento está respaldado por lei.

A Diretoria Executiva de Controle Urbano do Recife (Dircon) informa que, diferente do que foi publicado, a fiscalização no interior das estações e vagões do metrô do Recife não são feitas pela Prefeitura do Recife, uma vez que não é da jurisdição das equipes da administração municipal atuar em áreas federais.

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