Aplicativo mapeia hortas comunitárias do Recife e estimula interação social

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Já imaginou trocar o tomate cereja plantado na sua horta orgânica pelo manjericão cultivado na horta do seu vizinho? Foi com a ideia de promover essa integração social entre comunidades que estudantes da Faculdade de Ciências Humanas Esuda e UFRPE desenvolveram o aplicativo gratuito REplant. A ferramenta, disponível inicialmente para celulares androids, mapeia hortas comunitárias no Recife, dá dicas de cultivo e sugere locais de troca e venda de mudas, além de estimular as pessoas a optarem por uma alimentação livre de agrotóxicos e terem mais contato entre si e com a natureza. O nome do aplicativo, inclusive, é bem sugestivo: o “RE” do aplicativo representa as três letras “R” que ensinam diferentes modos de diminuir a poluição ambiental – reutilizar, reduzir e reciclar.

Uma das idealizadoras do software, Midiã Ferreira, 27 anos, conta que a inspiração surgiu a partir das aulas na instituição onde estuda, na Esuda. Numa das cadeiras do curso de arquitetura e urbanismo, os alunos tiveram que pensar em soluções urbanas para a Cidade. Foi aí que surgiram os primeiros esboços do projeto. “O mais legal desse aplicativo é fazer as pessoas se conectarem umas às outras, estimular essa rede de interação”, comenta. O processo é simples: ao baixar o aplicativo, um cadastro é aberto, onde a pessoa cria um “perfil” da sua horta, coloca fotos, faz uma breve descrição e informa a localização, o que gera o mapa. Ao colocá-la como pública, outras hortas já cadastradas aparecerão no mapa, mostrando quais as mais próximas de quem baixou o aplicativo.

Entre os ícones disponíveis na ferramenta, é num espaço chamado “Fórum” que as pessoas podem trocar dúvidas e sugestões umas com as outras. “Se eu me interessar pela alface plantada na horta de uma determinada pessoa, eu posso ir ao chat (janela de bate-papo) falar diretamente com ela”, detalha. Ao expor a horta, a pessoa pode informar antes que o interesse dela é trocar as hortaliças ou comercializar. Outro ponto interessante é que o aplicativo dá espaço para as pessoas criarem eventos, como feirinhas agroecológicas, da mesma forma que ocorre no Facebook. Ou seja, descreve o evento com hora e endereço e convida as pessoas escolhidas.

Para Diogo Galvão, professor do curso que inspirou Midiã a pensar o aplicativo, o mais bacana do projeto foi ver o quanto ele vem mudando a realidade das pessoas. “Depois desse aplicativo, cada aluno passou a ter a sua horta e eles mesmos estão contribuindo com a propagação dessa ideia. Ou seja, começou a modificar a visão de mundo delas, a ver a importância da segurança alimentar. Meu vizinho mesmo já está se aproveitando do meu tomate”, brinca o docente. Mais de cem downloads foram registrados em menos de um ano.

Programação
O projeto de Midiã ficaria apenas no campo das ideias se não fosse o “empurrãozinho” dado pelos estudantes do curso de bacharelado em sistemas de informação, da UFRPE, Bruna Vasconcelos e Victor Leuthier. “O maior desafio foi reunir tudo o que Midiã queria e programar. Tivemos que estudar muito para chegar ao produto final, de forma que o REplant ficasse didático para o usuário”, relembra Victor. Mas, fica a sensação de dever cumprido. “E o melhor é que o aplicativo não foi engavetado, como muitos projetos de faculdade. É muito legal ver as pessoas comprando a ideia e usando o aplicativo com gosto”, comemora Bruna.

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