Ato chama atenção para questões ligadas ao HIV e a Aids

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A 13º edição do International Aids Candlelight Memorial foi realizada nesta sexta-feira (18), no Marco Zero, bairro do Recife. Um grande laço vermelho, cruzes pretas e várias caixas vazias dos medicamentos dolutegravir e biogravir, foram os elementos usados para pedir respeito e atenção do poder público sobre as questões ligadas ao HIV e à Aids.

“Atuamos há 18 anos na região de Pernambuco e este ato é realizado em 150 países. Infelizmente, vivenciamos aqui algo que lutamos muito para não acontecer, a privatização do Sistema Único de Saúde, a falta de acolhimento das pessoas que estão pegando o HIV e Aids, a falta de antirretroviral, coquetel que nos mantém vivos. Não conseguimos entender como isso ainda acontece”, afirmou emocionado, Vladimir Reis, coordenador do Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+) um dos responsáveis pela organização do protesto em conjunto com o Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral (CADI).

Apesar de vivermos em uma era em que há informações sobre tudo e em todo lugar, os números de infectados pelo vírus HIV ainda assustam e a falta de debates só agrava esse cenário, quando a prevenção seria o caminho mais eficiente. Em Pernambuco, a mortalidade por Aids é de 6,2 por cada 100 mil habitantes, quando a média nacional é de 5,7.

Desde 2014, as mortes têm ficado acima de 600 no Estado. Foram 621 em 2014, 627 em 2015 e 625 em 2016. “No tempo em que vivemos às vezes não basta à informação está disponível. Nesse tempo da hiperconexão nós precisamos de mais. Precisamos dialogar numa linguagem que esses jovens e essas jovens possam compreender e se engajar. O poder público precisa ser mais ousado ao trabalhar com esse tema”, comentou o vereador Ivan Morais (PSOL), presente no ato.

Para disseminar os métodos preventivos é preciso dialogar, “bater na mesma tecla”, mas falar sobre o vírus HIV e sobre a Aids ainda é um tabu. Se assumir soropositivo ainda é uma atitude temerosa devido ao resistente preconceito a respeito da doença. “As pessoas que circulam na área em que fica o GTP sempre olham com preconceito quem vem nos procurar. São pessoas que se tornam invisíveis e marginalizadas porque as outras pessoas não procuram entender sobre o vírus”, afirmou a estudante de Ciências Sociais da UFPE, Alana Carvalho.

A Secretaria Estadual de Saúde, procurada pela reportagem, afirmou que vem “trabalhando na descentralização do atendimento aos usuários que vivem com o HIV/Aids no Estado, assim como na conscientização de profissionais de saúde de serviços estaduais e municipais em relação ao acolhimento dos pacientes”. Sobre a medicação que está faltando, a SES garantiu que o medicamento biovir (lamivudina + zidovudina), deverá chegar aos postos de saúde até o dia 20 de maio.

Candlelight no mundo
O International AIDS Candlelight Memorial, coordenado pela Rede Global de Pessoas Vivendo com o HIV, é uma das campanhas de mobilização de base mais antigas e maiores do mundo para a conscientização do HIV no mundo. Iniciado em 1983, o International AIDS Candlelight Memorial tem lugar a cada terceiro domingo de maio e é liderado por uma coalizão de cerca de 1.200 organizações comunitárias em 115 países.

O ato serve para homenagear aqueles que já faleceram, vítimas da Aids, bem como chamar a atenção da população e dos governos para que apoiem as pessoas que vivem e convivem com o vírus HIV e doentes de Aids em Pernambuco e no Brasil, inclusive na garantia de seus direitos, conquistados na Prevenção, acolhimento e na Assistência.

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