Buchudo, um dos criminosos mais procurados de PE, é preso no Espírito Santo

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Um dos criminosos mais procurados de Pernambuco – e que tinha sete mandados de prisão em aberto – foi preso na cidade de Serra, no estado do Espírito Santo. Para a polícia, a captura do traficante e homicida Antônio Carlos da Silva, 32 anos, mais conhecido como Buchudo, deve pôr fim a uma onda de violência na Mata Sul que tinha como pano de fundo do tráfico de drogas por território e que apenas entre janeiro e fevereiro deste ano provocou 11 homicídios.

As mortes de maior repercussão atribuídas ao criminoso foram um triplo assassinato, no dia 15 de fevereiro, e uma chacina de cinco pessoas, dois dias depois. Em ambos os casos, e em mais dois homicídios registrados em 12 de fevereiro, Buchudo, que liderava uma gangue da cidade de Barreiros, foi o mandante das mortes. Ele também era foragido da Penitenciária Barreto Campelo havia dois anos. O preso, até a tarde de ontem, ainda aguardava a transferência para Pernambuco, onde ficará à disposição da Justiça.

O delegado seccional de Palmares, Frederico Marcelo, explicou que a onda de assassinatos começou ainda em janeiro, quando a organização criminosa comandada por Wanderson José dos Santos, vulgo Moure, 23, preso em Igarassu desde 2015, tentou ampliar a área de atuação de tráfico concentrada em São José da Coroa Grande para Barreiros, que era domínio de Buchudo. Na ocasião, homens de Moure mataram Jonas Vieira, 27, apelidado de Bactéria, que era cunhado de Buchudo.

O assassinato foi filmado e um recado de guerra foi enviado. “Havia duas gangues e cada uma comandava o tráfico em uma cidade. A partir do momento que uma das facções decidiu entrar na área de território da outra houve essa morte que foi filmada e divulgada nas redes sociais. A partir disso, a facção de Barreiros decidiu se vingar e teve início esses múltiplos homicídios. Nessa represália, Antônio Carlos foi o mandante de dez mortes em sequência”, contou o delegado. A maioria das vítimas era pequenos traficantes que trabalhavam para as organizações ou os chamados “aviõezinhos” (pessoas que fazem o transporte e droga). Uma delas, uma adolescente de 12 anos, morreu porque estava na companhia do namorado de 17 durante a chacina.

“A prisão do Antônio Carlos é muito importante para a Polícia Civil Pernambucana. Ele era o homem mais procurado do Estado e houve um trabalho incessante de investigação com apoio fundamental da inteligência para encontrá-lo. Com sua prisão a gente desarticula a quadrilha por ele chefiada”, reforçou Frederico Marcelo. Ao longo das investigações, que duraram quatro meses, outros cinco integrantes das duas quadrilhas também foram presos entre eles homens apontados com os executores materiais dos assassinatos.

Há dois meses, o setor de inteligência da PC identificou que Buchudo havia se mudado para uma casa no Espirito Santo, onde morava com a esposa e uma filha, e foi montado o cerco. O homem não ofereceu qualquer resistência à prisão. O chefe de Polícia Civil, Joselito do Amaral, destacou que a identificação de outros integrantes das gangues ainda deve acontecer, mas que a retirada de circulação dos cabeças das facções já gerou impactos na segurança da Mata Sul. “Com o fim dessas duas quadrilhas já diminui bastante o número de mortes nessa região”, afirmou.

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