Cachorro é resgatado pela polícia após passar cinco dias abandonado em loja e bebendo água de ar-condicionado

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Um cachorro foi resgatado pela polícia, nesta sexta (18), após passar cinco dias abandonado dentro de uma loja em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, bebendo água do ar-condicionado do estabelecimento. O animal, da raça Yorkshire, estava preso no local, sem assistência, desde segunda (14).

A loja onde o cachorro foi resgatado oferece serviços de conserto de celulares. De acordo com a delegada Beatriz Leite, titular da Delegacia Seccional de Boa Viagem, o caso é investigado pela Delegacia de Polícia do Meio Ambiente (Depoma). O proprietário do estabelecimento pode ser autuado pelo crime de maus-tratos.

“O dono tem o costume de deixar o cachorro na loja, mas ela estava fechada desde a segunda-feira e o animal estava sem se alimentar. Trouxemos um chaveiro para abrir a porta. Pelo que parece, o cão estava sem comida e tomando a água que caia do ar-condicionado”, afirma a delegada.

O caso foi denunciado pela estudante Natália Tavares, presidente do projeto Mais Amor aos Animais. Ela trabalha em um empresarial ao lado da galeria onde o cachorro estava e foi avisada do ocorrido por um funcionário do local. Segundo ela, não é a primeira vez que o cão é deixado na loja.

“O dono tem o costume de deixar o cachorro no local, isso aconteceu há 15 dias também. Fui a primeira a pegar o cachorro quando o chaveiro abriu a porta. Ele estava rouco de tanto latir, debilitado, todo molhado e bem cansado. Não queria nem beber a água que dávamos por baixo da porta. É revoltante”, diz.

Ainda segundo Natália, tanto o Depoma quanto a Companhia de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma), da Polícia Militar, negaram-se a atender a ocorrência. “Me disseram para falar com a Vigilância Sanitária, que disse que não era uma situação emergencial. Falei com o deputado Romero Albuquerque (PP), que articulou com a polícia o resgate”, afirma.

De acordo com a delegada, o irmão do dono da loja foi ao local e disse que se responsabilizaria pelo animal. “Ele vai levar o cachorro para a família e se responsabilizar por ele formalmente. O Depoma vai pegar testemunhas, entrar em contato com o dono e investigar o caso”, conta Beatriz Leite.

Apesar disso, Natália disse que tentaria impedir que o cachorro fosse levado para o dono. “Dar à família é devolver ao agressor. Vou fazer de tudo para tentar rever isso. É um bicho indefeso, tem tanta gente fazendo mal e tão poucas fazendo o bem. Se devolver o cachorro vai acontecer a mesma coisa ou pior. Vou lutar para que isso não aconteça, para dar voz a esse indefeso”, declara.

Segundo Romero Albuquerque, os órgãos que não acataram a denúncia também podem ser responsabilizados. “A população está tendo dificuldade em acionar a Polícia Militar para casos de maus-tratos a animais. Mas crime é crime. E, quando um agente público não cumpre a legislação, ele está prevaricando (cometendo um crime)”, diz o deputado.

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