Cai número de consumidores que pretendem fazer compras para o Dia dos Pais no Grande Recife, diz pesquisa

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Oito em cada 10 moradores do Grande Recife pretendem fazer compras para o Dia dos Pais, celebrado no domingo (12). É o que mostra uma pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Pernambuco (Fecomércio-PE). O percentual de interessados em adquirir produtos para a época teve queda: neste ano, foi de 80,5%, contra 82,7%, em 2017.

A pesquisa, elaborada em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), aponta, no entanto, a tendência de aumento do valor dos presentes. Em 2017, os consumidores estavam dispostos a gastar, em média, R$ 158 e, neste ano, o valor subiu para R$ 169.

Segundo Rafael Ramos, economista da Fecomércio, a queda na intenção de consumo reflete um quadro de piora no cenário econômico do estado. “Tivemos uma elevação da inflação em junho e Pernambuco tem uma das mais altas taxas de desemprego do país”, explicou.

“De acordo com os dados do IBGE do primeiro trimestre de 2018, Pernambuco tinha quase 700 mil pessoas desempregadas. Isso estimula muito um comportamento conservador dos consumidores. Por mais que eles não tenham sido atingidos diretamente por esse quadro, saber que um vizinho ou um familiar perdeu o emprego vai mudar a forma como ele consome”, disse.
Para o economista, é a primeira queda que a pesquisa aponta em datas comemorativas no estado em 2018. “No Dia das Mães, no Dia dos Namorados e no São João, os índices estavam acima dos registrados no ano passado”, explicou Rafael.

Ele ainda estima que, no Dia das Crianças, em 12 de outubro, a intenção de compra deve se manter estável, ou registrar uma leve queda, em comparação com números de 2017. Isso deve ocorrer em consequência do calendário eleitoral, que tem eventos próximos à comemoração, segundo o economista.

Outra perspectiva
Enquanto a Fecomércio prevê a queda no volume de compras para o Dia dos Pais, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do Recife, Cid Lôbo de Mendonça, declarou que a organização estima um crescimento tímido no volume de vendas no período.

“A gente está com um otimismo moderado. A expectativa é de que as vendas cresçam entre 2% ou 3% em relação ao ano passado”, informou, além de lembrar que o Dia dos Pais de 2017, no Recife, interrompeu o ciclo de três anos de queda no consumo no mesmo período dos anos anteriores.

Preferências
A pesquisa ainda apontou que artigos de vestuário estão entre as compras que quase metade dos consumidores pretende fazer neste ano. Além disso, o estudo identificou que as lojas do comércio tradicional são os pontos preferidos para fazer compras, ocupando a preferência de 58,3% dos entrevistados.

Em 2018, a sondagem também mostrou que os pagamentos em espécie devem superar as compras no cartão. De acordo com a pesquisa, 40,5% dos entrevistados vão ficar com a primeira opção, contra 38% de pessoas que pretendem optar pelo pagamento a prazo.

“A escolha pelo comércio tradicional e pelo pagamento em dinheiro são dois reflexos da queda na intenção de compra. No comércio tradicional, os produtos tendem a ser mais baratos que em lojas de shopping, além de ser possível que o cliente consiga descontos. A opção por pagar à vista é um indicativo de que as famílias não querem acumular dívidas”, comentou Rafael Ramos.

Ainda segundo o estudo, 41,4% dos participantes indicam que devem comemorar a data em uma confraternização na própria residência. Nesse mesmo quesito, outros 26,9% indicaram que devem comemorar a data em estabelecimentos comerciais.

O levantamento também apontou que 48,6% dos empresários esperam que as vendas no Dia dos Pais deste ano superem os números de 2017. Entre aqueles que atuam no setor de alimentação, a expectativa de melhora nos resultados é apontada por 40,6% dos ouvidos. Os dois índices, em 2017, eram maiores: 51,2% e 42,7% dos entrevistados estavam otimistas com o número de vendas, respectivamente.

Sobre contratação de mão de obra temporária, o estudo indicou que as estimativas do período não deram fôlego suficiente para uma expressiva contratação para atender às demandas da data. A pesquisa mostrou que 7,7% dos entrevistados de lojas do comércio tinham interesse em ampliar os quadros de funcionários neste mês. O indicador foi maior em lojas do comércio tradicional (8,9%), enquanto em shopping centers chegou a 4,7%.

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