‘Carrinho-escola’ leva educação para moradores e trabalhadores de rua em Olinda

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Um projeto itinerante de inclusão social dá a oportunidade de aprendizado para moradores e trabalhadores de rua, além de pessoas que perderam contato com a educação formal, em Olinda. Com um carrinho equipado com quadro, biblioteca e bancos, o “Escola da Vida” ensina português, matemática, raciocínio lógico e cuidados com a saúde em comunidades e áreas públicas da cidade.

O projeto começou, de forma experimental, em oito localidades, como V-8, Bairro Novo, Casa Caiada e Carmo. Nesta terça-feira (9), foi celebrado, durante um evento com a prefeitura, o convênio para a formalização das atividades, que seguem até agosto deste ano.

Participam da iniciativa, além do poder público, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que recebe os recursos do Ministério da Educação (MEC), e a organização social (OS) Centro de Prevenção às Dependências (CPD), que atua diretamente nas aulas.

Para os alunos que já participam do projeto piloto, a iniciativa é capaz de transformar vidas. Gabrielle Marinho, 23 anos, mora nas ruas de Olinda e dorme na frente de uma igreja, em Bairro Novo, onde ficou sabendo que poderia voltar a estudar.

Ela frequentou a educação formal até o primeiro ano do ensino médio e, agora, diz que também está aprendendo a rever algumas questões da vida pessoal. “Eu estava envolvida com drogas e passei a mudar minha mente. Quero terminar os estudos para ser juíza”, afirmou.

No projeto, Gabrielle conta com apoio familiar, embora não viva com os parentes. “Minha mãe, uma irmã e meu namorado também estão participando das aulas”, acrescentou.

Atividades
O acordo prevê a capacitação de 120 funcionários públicos, entre profissionais de assistência social, guarda municipal, saúde e conselhos tutelares. A prefeitura disponibiliza um motorista e um veículo, onde o “carrinho-escola” fica acoplado, para a realização das oficinas nas ruas.

Durante o período de atividades, duas equipes atuam duas vezes por semana em cada localidade. As aulas duram 40 minutos e são ministradas por assistente social, advogado, psicólogo e professor.

Em cada área contemplada pela ação, as atividades são direcionadas a públicos específicos. De acordo com a CPD, no bairro de Casa Caiada, por exemplo, o atendimento é feito com catadores de recicláveis. Também há oportunidades para trabalhadores do sexo e para pessoas que têm problemas com álcool e drogas.

A ideia, destaca a organização, é dar oportunidade para essas pessoas voltarem a ter contato com o ensino formal e garantir a elevação do nível de escolaridade. A meta do projeto é atender até 150 pessoas. Um trabalho prévio, feito ao longo dos últimos meses, cadastrou 50 alunos, de todas as idades.

Vulnerabilidade
A Coordenadora do Centro de Prevenção as Dependências, Ana Glória Melcop, destaca que a ideia do carrinho é facilitar o acesso à educação para pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social. “São pessoas questão nas ruas, praças, em bordéis e no lugar de consumo de drogas ou na frente de uma igreja”, afirmou.

Ela apontou que o projeto tem como base a realização de 32 oficinas, divididas em etapas. “Lidamos com noções de autoconhecimento, letramento, elevação do raciocínio lógico matemático e questões sobre a vida, a sexualidade, a violência, as drogas, além do direito e da Cidadania”, disse.

Para a reitora da UFRPE, Maria José de Sena, um ponto importante do projeto é a possibilidade de ir ao encontro das pessoas para transformar a vida delas por meio da educação. “A gente quer abrir os horizontes e dizer para essas pessoas que elas também têm direito à saúde e à defesa e que elas podem buscar esses direitos”, afirmou.

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