Caso Aldeia: Perícia conclui que Jussara não agiu só na morte do médico Denirson

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O laudo da reconstituição realizada na casa do cardiologista Denirson Paes no dia 14 de setembro, em Aldeia, concluiu que a esposa dele, a farmacêutica Jussara Rodrigues, não seria a única responsável pela morte do marido. Ela teria contado com a ajuda de uma segunda pessoa que, de acordo com a acusação, seria o engenheiro Danilo Paes, de 23 anos, filho mais velho do casal. O médico foi assassinado no fim de maio, no condomínio de luxo onde morava com a família. A investigação aponta que ele foi asfixiado por esganadura e, em seguida, esquartejado.

A Justiça de Pernambuco determinou, na segunda-feira, a quebra do sigilo do processo. Com isso, o laudo, assim como todo o inquérito, será detalhado nesta terça-feira pelo advogado Carlos André, contratado pelos pais do médico para auxiliar o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) na acusação. Já a defesa acredita que a Polícia Civil de Pernambuco fez um trabalho tendencioso.

“Os peritos dizem que foram apresentadas contradições e que ela não fez tudo sozinha, como confessou. Mas eles não apontam quais são essas contradições, os motivos, nada”, comentou Rafael Nunes, advogado de Jussara e Danilo. A defesa tenta provar que Jussara estava se defendendo de uma agressão física quando Denirson teria caído e batido a cabeça, morrendo em consequência do ferimento. O advogado tenta fazer com que Jussara responda apenas pela ocultação de cadáver, já que teria agido em legítima defesa. Danilo seria, assim, excluído do crime.

As audiências de instrução e julgamento do caso estão marcadas para os dias 7 e 14 de dezembro, no Fórum de Camaragibe. Jussara confessou ter entrado em luta corporal com o marido na manhã do dia 31 de maio. Durante a briga, ela disse que deu um chute em Denirson e ele bateu com a cabeça no chão, o que teria ocasionado um traumatismo no crânio. Depois, ela afirmou que o esganou e, em seguida, trancou o corpo do marido no quiosque próximo à piscina, onde, à noite, o esquartejou, também sozinha.

“Nós trouxemos novidades para o caso, como o fato de que Denirson chegou a ser detido em 2015 por desrespeitar a medida protetiva expedida após agredir Jussara. Existe um histórico de que ela era vítima de violência doméstica”, defende Rafael Nunes.

Jussara alegou, em boletim de ocorrência registrado no dia 20 de maio, que o marido teria viajado para o exterior e não havia retornado. A delegada desconfiou do depoimento e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio onde eles moravam. Na busca, realizada no dia 4 de julho, foram encontrados os primeiros restos mortais do médico na cacimba da residência. Em 5 de julho, Jussara e Danilo foram presos temporariamente, suspeitos de ocultação de cadáver.

Os três pedidos de habeas corpus feitos pela defesa de Jussara e Danilo foram negados. No dia 20 de agosto, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou asfixia por esganadura como a causa da morte do cardiologista. O inquérito, apresentado no dia 31 de agosto, concluiu que um relacionamento extraconjugal entre o médico e a filha de um paciente dele teria sido a principal motivação do crime. O inquérito foi remetido pela delegada Carmem Lúcia ao Ministério Público de Pernambuco, também solicitando a prisão preventiva da esposa e do filho, que foram indiciados por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

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