Caso Betinho: Justiça absolve estudante acusado de matar professor em apartamento

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A 2ª Vara do Tribunal do Júri do Recife absolveu um dos jovens acusados de envolvimento na morte do professor José Bernardino da Silva Filho, o Betinho, de 49 anos. Segundo a sentença, não havia provas para condenar Ademário Gomes da Silva Dantas. Ele respondia ao processo em liberdade e será intimado da absolvição.

O crime ocorreu, em maio de 2015, no apartamento da vítima, no Edifício Módulo, na área central do Recife. A Polícia Civil apontou dois estudantes do Colégio Agnes, escola particular em que Betinho trabalhava, como autores do homicídio.

As digitais dos dois teriam sido encontradas na cena do crime. Ademário tinha 19 anos na época e estaria com um adolescente de 17 anos.

A sentença foi proferida no dia 31 de janeiro de 2019 pelo juiz Jorge Luiz dos Santos Henriques. Ao tomar a decisão, o magistrado acatou o pedido do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que solicitou a absolvição sumária de Ademário. O pedido havia sido feito em 30 de janeiro de 2018.

Segundo o MPPE, três perícias realizadas no imóvel da vítima tinham informações que contrariavam a primeira análise do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB). A promotoria destacou que não havia impressões digitais do rapaz na cena do crime nem prova que sustentasse a acusação.

De acordo com a Justiça, a Polícia Civil deve ser acionada para realizar novas investigações. O magistrado determina, ainda, que um ofício seja enviado para a Central de Inquéritos para permitir a investigação de um possível crime de falsa perícia.

Na decisão, o juiz destaca que, durante as investigações, não foi possível provar a presença de Ademário no prédio no intervalo de tempo compatível com o horário do crime.

“O delegado que presidiu o inquérito viu e reviu as imagens das câmeras do prédio, juntamente com sua equipe, e não se constatou o acusado entrando ou saindo do Edifício Módulo, o que é decisivamente favorável à alegação do réu de que não esteve no local do crime”, escreveu o juiz.

O adolescente apontado pelas investigações como o outro envolvido na morte de Betinho também foi inocentado. O processo correu em segredo de Justiça, uma vez que ele era menor na época do crime.

O advogado de Ademário, Jorge Wellington Lima de Matos, afirmou que a defesa esperava a decisão e insistiu junto ao MPPE para que o órgão pedisse a absolvição.

“Encontramos várias lacunas na perícia feita pelo IITB. Depois, as perícias feitas pela Polícia Federal e pelo Instituto de Criminalística mostraram que o fragmento de digital encontrado na cômoda da casa era da própria vítima, e não de Ademário. O juiz decidiu absolvê-lo sumariamente porque provamos que não foi ele quem matou Betinho”, disse.

Entenda o caso
Betinho trabalhava no Colégio Agnes, nas Graças, na Zona Norte do Recife. Ele atuava como coordenador pedagógico na escola e foi encontrado morto na noite de 16 de maio.

O corpo estava sem roupas e tinha um fio em volta do pescoço. Na época, a Polícia Civil informou que um ferro de passar roupa teria sido usado para desferir golpes na cabeça da vítima.

Perícias foram realizadas pela polícia no apartamento da vítima. Em 2017, o Ministério Público solicitou e a Justiça determinou um novo procedimento desse tipo.

Na época, a Justiça entendeu que era necessário fazer um confronto de impressões digitais. A decisão foi tomada depois da análise do material coletado pela Polícia Federal.

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