Chuva traz medo a quem mora próximo a encostas

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A Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac) emitiu, nesta terça-feira (6), alerta de chuvas fortes durante 24 horas para a Região Metropolitana do Recife (RMR) e a Zona da Mata. Diante do alerta, quem vive em áreas de morro se preocupa com o risco de queda de barreira.

Nos altos da Zona Norte do Recife, ainda podem ser vistas barreiras desprotegidas ou com lonas rasgadas pela ação do tempo. É o caso da encosta da casa da vendedora Juliana Leônidas, 28 anos, que mora no Alto Dr. Caeté. “A lona daqui rasgou no inverno passado e ainda não colocaram uma nova”, reclama. De acordo com a moradora, o solo sempre cede a cada chuva. “Choveu, a gente fica com medo. Se eu estou no trabalho e começa a cair água, fico preocupada com meus filhos”, explica.

Ainda no Alto Dr. Caeté, acima de Juliana, mora a aposentada Margarida Nascimento, 75. A barreira ao lado da casa dela tem muro de arrimo há dez anos, mas já apresenta sinais de deterioração. “A Prefeitura me deu o material e eu paguei pra fazer. Mas já está nascendo planta entre o cimento. Tenho que pagar para capinar”, lamenta. Vivendo há mais de 60 anos no morro, a idosa nunca viu deslizamento. “Mas aqui no pé dessa torre (de celular) sempre cai um pouco de terra quando chove. Queria poder ajeitar, mas não pode”, relata.

Localizado diante do Caeté, o Alto do Progresso está em situação melhor, contando com encostas cimentadas. “Há uns três anos ajeitaram. Antes eu tinha muito medo. Quando chovia, a gente não desligava mais de tão preocupada”, relembra. Ela mora bem ao lado da barreira e não esquece da última vez que houve deslizamento. “Da vez que caiu, quase que atingia a vizinha de baixo. Chegou terra até a janela dela”, diz.

A Secretaria Executiva de Defesa Civil do Recife (Sedec) explica que mantém “cronograma permanente de ações preventivas”, citando as vistorias realizadas no Alto do Progresso e no Córrego do Joaquim, ambos no bairro de Nova Descoberta, na Zona Norte.

As equipes trabalham diariamente no levantamento, monitoramento e controle de áreas de risco; no envio de SMS com alerta de chuvas; nos mutirões, remoção e abrigamento temporário de famílias em situação de risco; e nas ações de reparo de danos e requalificação dos espaços públicos”, conta a Sedec, em nota. O órgão alega ter feito mais de 11 mil vistorias e colocado mais de 150 mil metros quadrados de lonas nos morros em 2018.

Arredores
As defesas civis de Recife e Olinda afirmaram que não houve problemas com barreiras devido à chuva desta terça. O órgão da capital (Sedec) pode ser acionado a qualquer hora no número 0800.081.3400.

Já em Jaboatão dos Guararapes, houve a necessidade de repor lona nos bairros da UR-6 e Jardim Jordão. Jaboatão foi o município da RMR que mais choveu, com acumulado de 76 milímetros, segundo a Apac.