Cinco anos após fim do prazo, mais da metade das cidades de PE mantém lixões

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Cinco anos após o fim do prazo para eliminação dos lixões em todo o Brasil, 56,5% dos municípios pernambucanos descartam o lixo de maneira irregular. É o que mostra levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que foi divulgado nesta sexta-feira (29). Das 184 cidades de Pernambuco, 104 ainda utilizam lixões, duas depositam os resíduos em aterros controlados (1,1%) e 78 em aterros sanitários (42,4%).

A lei federal 12.305, de 2 agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estipulava que todos os lixões do país deveriam deixar de existir até 2 de agosto de 2014. Desde então, o TCE em Pernambuco realiza um monitoramento anual para saber como está sendo feito o descarte dos rejeitos produzidos.

De lá para cá, Pernambuco gerou 5,7 milhões de toneladas de lixo. De acordo com o TCE, a quantidade é o suficiente para encher 1.300 campos de futebol com três metros de altura de resíduos ou para causar um engarrafamento de 10 quilômetros de caminhões entupidos de lixo.

“A gente teve uma evolução a partir de 2014, quando começamos a levantar esses dados para fazer o diagnóstico anual. Hoje, os principais geradores de lixo depositam em aterros sanitários, mas ainda há um número grande de municípios que descartam em lixões a céu aberto. E essa realidade precisa mudar”, afirma o auditor Alfredo Montezuma, um dos coordenadores do estudo do TCE.

O relatório aponta que 6.057 toneladas de lixo são depositadas diariamente em aterros sanitários, o que corresponde a 63,4% dos resíduos produzidos em todo o Estado. Outras 194 toneladas (1,4%) vão para aterros controlados. E 3.364 toneladas continuam sendo descartadas de forma irregular em lixões, representando 35,2% do total.

Os dados nacionais mais recentes sobre lixões se referem a 2017. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil produz 78,4 milhões de toneladas anuais de lixo.

As equipes do TCE usaram drones para flagrar irregularidades.

“Os drones significam um avanço nas nossas inspeções, porque muitas vezes, com a visão de baixo, não conseguimos visualizar e flagrar certas situações. Aconteceu um caso de dizerem que não havia catadores e o drone mostrar o caminho dos catadores e o lugar de despejo”, pontua o auditor Pedro Teixeira, também responsável pelo levantamento do TCE.

O caso citado ocorreu no município de Belo Jardim, no Agreste, que tem um aterro sanitário licenciado. As imagens aéreas revelaram um caminho feito pelos catadores, provavelmente à noite, e o local onde eles depositavam os rejeitos.

Diante do flagrante, a prefeitura terá de realizar ajustes para não permitir a presença indiscriminada de catadores. Pesqueira, também no Agreste, apesar de possuir um aterro controlado, foi outra cidade com catadores identificados através de drones.

Além de colaborar com o meio ambiente, as prefeituras que ajustam sua política de resíduos sólidos recebem uma contrapartida de ICMS Ecológico. O município de Cortês, na Mata Sul, por exemplo, gastou R$ 99,8 mil no ano passado com a manutenção de um aterro sanitário. E recebeu, no mesmo ano, um repasse de R$ 144,8 mil de ICMS.

Em nota, a Prefeitura de Pesqueira informou que, em junho de 2017, na presença do Ministério Público, firmou convênio com os catadores para melhorar as condições de trabalho. “Foi disponibilizado um carro para realização de coleta seletiva na cidade, colete de identificação, bolsa-auxílio e cestas básicas”, diz o comunicado. Rondas são feitas no aterro para coibir a presença de catadores na área do aterro.

Já a Prefeitura de Belo Jardim afirmou que mantém vigilantes 24 horas no aterro, mas está estudando alternativas para melhorar a situação do local.

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