Com doença rara, recifense luta por acesso a medicamento

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Adelaide Cabral Miranda mora na comunidade de Chão de Estrelas, na Zona Norte do Recife, e, com 38 anos, luta contra uma condição rara de saúde desde os 10. Após dois diagnósticos errados, somente em 2011 ela iniciou tratamento no Hospital Agamenon Magalhães (HAM), na Zona Norte da cidade, contra a arterite de takayasu, uma doença que causa inflamação dos vasos sanguíneos, principalmente da aorta – a artéria conectada diretamente ao coração -, de suas ramificações e das artérias pulmonares.

Aposentada por invalidez devido à doença, a recifense necessita da administração de quatro doses do medicamento Infliximabe a cada dois meses para manter seu quadro estável. No mesmo ano, Adelaide conseguiu, por meio de liminar na Justiça, que o Governo de Pernambuco fornecesse o medicamento. No entanto, após sete anos de fornecimento, ela agora está sem o produto, pois, segundo a Secretaria de Saúde, o Estado não conseguiu um fornecedor na última licitação.

De acordo com a aposentada, as dificuldades para andar e as fortes dores de cabeça começaram na infância. Na época, lhe foi atribuído erroneamente o diagnóstico de febre reumática. Aos 15 anos, ela já não fazia mais atividades simples, como a educação física na escola. Dessa vez, o diagnóstico foi de hipertensão secundária, o que a levou a fazer uso de diversos anti-hipertensivos.

“Meu sonho era ser psicóloga, ganhei uma bolsa em uma faculdade privada por ter passado em primeiro lugar no vestibular daquele ano, mas meu sonho foi interrompido. Em 2011, numa consulta com um cardiologista, constataram que eu tinha arterite de takayasu em fase crônica, apontando a obstrução de diversar artérias”. Adelaide chegou a ser internada três vezes para a realização de cirurgia vascular. No entanto o grau da doença impossibilitou a realização do procedimento.

Adelaide foi encaminhada a um especialista na enfermidade, que deu inicio ao tratamento. Porém, por não possuir o medicamento específico para a doença, foram utilizados corticoides. Ela desenvolveu diabetes e, com isso, além das ampolas contra a arterite de takayasu, passou a necessitar de insulina para se mantere estável.

Em 2011, Adelaide se aposentou por invalidez antes mesmo de começar a exercer a profissão de psicóloga, na qual se formou em 2009. No mesmo ano, entrou com ação judicial via Defensoria Pública, solicitando auxílio em seu tratamento. E obteve liminar determinando que o Estado fornecesse o medicamento.

Após sete anos de tratamento, no dia 2 do mês passado, a mãe de Adelaide foi à farmácia do Estado buscar o medicamento, pois a paciente seria internada no dia seguinte para a realização de um tratamento de emergência, devido a alterações nos últimos exames realizados. Mas não recebeu o remédio. “Achei estranho porque uma paciente com o mesmo diagnóstico recebeu a medicação em menos de vinte dias. E o meu, até hoje, nada.” Segundo ela, cada ampola de Infliximabe custa cerca de seis mil reais, valor que ela afirma não dispor.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que não tem medido esforços para adquirir o medicamento da paciente e que chegou a realizar um processo de compra. Contudo, informou, “o certame deu deserto”, ou seja, nenhuma empresa apresentou proposta para fornecimento. A secretaria informou ainda que um novo processo de compra já está em andamento e ressaltou: “ É importante esclarecer que, mesmo sendo uma decisão judicial, é preciso seguir os trâmites legais para a compra do insumo.” Quem estiver interessado em ajudar a aposentada pode entrar em contato com ela pelo número (81) 99967.6934.

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