Confissão de Jussara será confrontada pela polícia em novas diligências

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A Polícia Civil de Pernambuco confirmou a informação, publicada exclusivamente pela Folha de Pernambuco nesta terça-feira (4), sobre a confissão da farmacêutica Jussara Paes, de 55 anos, pelo assassinato e ocultação do cadáver do médico cardiologista Denirson Paes. No novo depoimento, prestado na última segunda (3), na Colônia Penal Feminina, a esposa do médico afirmou que fez tudo sem a ajuda do filho mais velho do casal, o engenheiro civil Danilo Paes, 23.

Segundo a Polícia Civil, as investigações se concentram, a partir de agora, em verificar a veracidade das novas informações prestadas por Jussara. Pontos do depoimento da farmacêutica serão confrontados em diligências. A polícia afirmou ainda que só irá se pronunciar ao final do trabalho.

A nova versão contada por Jussara Paes foi dada três dias depois de a Polícia Civil apresentar a conclusão do inquérito e indiciar a esposa do médico e o filho Danilo na última sexta-feira (31). Ambos foram acusados pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver.

O processo mostrou que Jussara havia descoberto um relacionamento extraconjugal de mais de cinco anos de Denirson com a filha de um paciente, o que teria sido uma das motivações para o crime, cometido na madrugada de 31 de maio. Um áudio divulgado pela polícia no mesmo dia mostrou Danilo implorando à mãe para que ela esclarecesse a morte do pai e “contasse toda a verdade”, pois ele “precisa da vida de volta”. O inquérito da polícia indicou que tanto Danilo quanto Jussara apresentavam fortes dores na coluna nos dias seguintes ao crime.

Segundo o advogado da acusada, Alexandre de Oliveira, o depoimento de uma nova testemunha pode ajudar o filho mais velho do casal. O profissional ressalta que Jussara fez tudo por emoção. “Tudo o que ela fez foi (…) com base no descobrimento da amante”, afirmou Alexandre Oliveira.

Entenda o caso
Em meados do último mês de junho, teve início a investigação do desaparecimento do médico cardiologista Denirson Paes da Silva, 54 anos. A esposa dele, a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes, 55, alegou, em Boletim de Ocorrência registrado no dia 20 de junho que o marido teria viajado para o exterior e não havia retornado.

A delegada Carmem Lúcia desconfiou do envolvimento dos familiares no desaparecimento do médico e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam, em um condomínio de luxo localizado em Aldeia, Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife (RMR).

Na busca policial, em 4 de julho, foram encontrados os primeiros restos mortais do médico na cacimba da residência. Para a polícia, havia indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do cadáver de Denirson.

Em 5 de julho, Jussara e Danilo foram presos temporariamente suspeitos de ocultação de cadáver. Danilo foi encaminhado para o Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, também na RMR. Jussara, por sua vez, foi levada para a Colônia Penal Feminina do Recife.

Os três pedidos de habeas corpus feitos pela defesa de Jussara e Danilo foram negados. No último dia 20 de agosto, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou asfixia por esganadura como a causa da morte do cardiologista. Na última quarta-feira (29), o inquérito foi concluído e remetido pela delegada Carmem Lúcia ao Ministério Público de Pernambuco, também solicitando a prisão preventivamente da esposa e do filho, que foram indiciados por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Na última sexta-feira (31), a Polícia Civil de Pernambuco apresentou a conclusão do inquérito do caso, que foi enviado e aceito pelo Ministério Público. Jussara e Danilo foram apontados como culpados de matar Denirson por esganadura e jogar o corpo do médico na cacimba da casa. Segundo o inquérito, Jussara descobriu uma traição do marido no mesmo dia que o matou.

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