Dois bairros do Recife receberão intervenção urbana visando às crianças

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Os bairros da Iputinga e o Alto Santa Terezinha, respectivamente, nas zonas Oeste e Norte do Recife, serão beneficiados com intervenções urbanísticas voltadas para as crianças. A Fundação Bernard Van Leer, de origem holandesa, é referência mundial em políticas para a primeira infância (até seis anos) e doará R$ 3,5 milhões para o projeto. As ações estão previstas para começar no fim de abril e terá o prazo de 15 meses.

Os locais foram escolhidos por causa do baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), alto nível de vulnerabilidade social e a baixa renda. As intervenções visam a melhorar os espaços públicos para as crianças, com ações de melhoria da iluminação, adequação de velocidade de automóveis, acessibilidade das calçadas, adaptação das paradas de ônibus, construção de parques e requalificação de praças. O projeto pretende impactar positivamente o desenvolvimento cognitivo, saúde e sócioemocional das crianças.

A fase da primeira infância é de até 6 anos. Segundo o representante da Fundação Bernard Van Leer na América Latina, Leonardo Yánez, “a violência na vida da criança afeta no desenvolvimento normal do cérebro. A violência doméstica, contra a mulher, tem um impacto na infância”, observou.

Yánez explicou que a influência das intervenções urbanísticas nesta fase foi um descobrimento recente para a fundação. “Achamos em pesquisa que havia elementos estruturais da cidade que têm impacto grande sobre a violência e o comportamento humano”, comentou. O fundador utilizou a teoria das janelas quebradas para explicar a importância da intervenção. “Quando a comunidade está quebrada, janelas quebradas e lixos na rua, a criminalidade está crescendo. Já quando você tem espaços limpos, cuidados, a atividade criminosa está baixa”, ressaltou.

O prefeito do Recife, Geraldo Julio, afirmou que na Iputinga o projeto alcançará uma área com três escolas próximas: Creche Casa Azul, Escola Municipal Casarão do Barbalho e Escola Municipal Diná de Oliveira. Nessa área, aproximadamente 1.130 crianças circulam todos os dias. Já no Alto Santa Terezinha, a intervenção será no entorno do Compaz Eduardo Campos, frequentado anualmente por cerca de 90 mil pessoas. “Essa experiência é para melhorar o espaço para que as crianças acessem melhor as escolas, creches e equipamentos públicos de educação”, comentou. De acordo com Geraldo, o projeto lida com dois fatores importantes para a primeira infância: o espaço urbano e a educação.

Geraldo informou que o projeto também envolve a segurança. “Não é só colocar o policiamento, mas a iluminação, a circulação e visibilidade. Tudo isso faz parte de um ambiente melhor para as pessoas se sentirem seguras”. De acordo com ele, a distribuição da verba irá um pouco mais para o Alto Santa Terezinha e será para requalificação de praças e calçadas.

Atualmente, segundo a Prefeitura, o Recife possui 230 projetos e programas voltados para a primeira infância e deverá ganhará uma lei municipal. O objetivo do marco legal vai conduzir as políticas públicas voltadas ao público de 0 a 6 anos. “Será uma lei municipal que agregará toda e qualquer ação que a prefeitura tenha na área da primeira infância numa lógica estratégica. A prefeitura já faz muitas ações na primeira infância, mas acontecem separadas por secretarias”, afirmou o secretário de Planejamento, administração e gestão da pessoa, Jorge Vieira.

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