Edifício Holiday: voluntários aguardam liberação judicial para iniciar projeto de reforma

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Com os portões trancados desde a interdição judicial em março, o Edifício Holiday, na Zona Sul do Recife, só pode ser ocupado quando forem feitas obras de melhoria da estrutura. Voluntários interessados em participar do projeto da reforma não têm autorização para entrar e, por isso, aguardam o aval da Justiça para iniciar os trabalhos.

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Riscos estruturais, inadimplência do condomínio e ligações elétricas clandestinas foram apontados pela Justiça como motivos para a interdição do Holiday. Esses são alguns problemas que se arrastam desde os anos 1990.

Depois de uma pane elétrica em março deste ano, a falta de segurança foi o motivo alegado pela Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) para não religar o sistema. A Defesa Civil também constatou uma série de riscos, levando os moradores a deixar o local.

Até agora, foram arrecadados R$ 4,3 mil para a reforma do prédio. Os reparos exclusivos para a parte elétrica, no entanto, estão orçados em mais de R$ 200 mil.

Até esta terça (30), a única pessoa autorizada a entrar no edifício era o síndico, José Rufino Neto. “Sozinho, eu não sou capaz de arquitetar nada. Espero que o juiz libere, porque sem a entrada da equipe, ficamos no ponto zero. A gente caminha para trás, porque o prédio cai no esquecimento”, afirma.

A saída dos moradores e a demora no processo de reforma causam insatisfação em quem deseja voltar para casa. “Não me conformo. Foi mais fácil tirar as pessoas de suas residências e deixá-las na rua, sem condição nenhuma. Agora, o prédio está aí, abandonado”, diz o comerciante Fernando Santos.

O juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública da Capital, Luiz Rocha, explicou que o pedido de entrada dos profissionais está em análise e uma decisão deve ser anunciada ainda nesta terça (30). Segundo o magistrado, é preciso ter o controle das pessoas que entram e saem do Holiday e assegurar a transparência das doações recebidas.

Enquanto a reforma não começa, os portões seguem fechados. É possível ver o prédio somente pelas brechas ou por cima dos tapumes instalados pela Prefeitura do Recife.

Mais de um mês após a saída dos moradores, quem viveu no edifício ainda sente dificuldade para falar sobre o lugar onde construiu a vida. “Dá um desgosto. Um desgosto danado. Espero em Deus que dê para voltar”, diz a comerciante Maria José de Lira, sobre a insatisfação de não vender tudo o que vendia antes, quando morava e trabalhava no edifício.

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