Em depoimento, esposa nega assassinato do médico; advogado aponta boicote da defesa

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Um novo capítulo no Caso Aldeia, que apura o desaparecimento e morte do médico Denirson Paes, 54 anos, pode envolver agora polêmicas de ritos processuais e conduta profissional. O advogado Alexandre Oliveira, responsável pela defesa dos suspeitos – a farmacêutica Jussara Paes, 54, e do filho do casal Danilo Paes, 23 -, promete ingressar com uma representação contra uma advogada da Secretaria de Ressocialização (Seres) que acompanhou sua cliente durante oitiva conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). Oliveira também aponta que não foi avisado sobre a realização do interrogatório a Jussara feito na última sexta-feira (13), na Colônia Penal Feminina do Recife, e que a cliente ficou sem apoio jurídico.

“A delegada foi lá colher o depoimento de minha cliente sem minha presença. Eu sou o advogado habilitado nos autos do inquérito e deveria ter sido comunicado”, reclamou Oliveira. Ele denunciou que a cliente narrou que foi pressionada a confessar o assassinato do marido. Na oitiva, considerada arbitrária pelo advogado, Jussara afirmou que não matou o marido e não saberia o que aconteceu com ele, mas disse acreditar que alguém queria incriminá-la, jogando as partes do corpo na cacimba da casa do casal em Aldeia, Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife. Sobre a limpeza na área do quiosque da piscina, a farmacêutica informou que queria deixar o espaço limpo, visto que o marido deveria voltar casa em breve.

Em outro ponto do interrogatório, questões financeiras foram declaradas pela suspeita. Jussara disse que pediu dinheiro ao pai de Denirson até que o marido aparecesse, narrou que havia algumas brigas do casal na hora das compras “porque o médico era muito seguro com dinheiro” e “em raríssimos momentos lhe dava o cartão”, mas negou a separação do casal.

Em relação aos filhos, Jussara confirmou que Danilo estava em processo de fobia e síndrome do pânico e que, após a suposta viagem do pai, passou a fazer uso de Rivotril com prescrição médica. Afirmou ainda que tanto Daniel quanto o filho mais jovem, de 20 anos, estavam em casa no dia 31 de maio. Sobre a folga dos funcionários, nos dias 30 e 31 de maio, afirmou que estava devendo um descanso aos empregados e havia dificuldade de eles chegarem até a residência devido à greve dos caminhoneiros e a crise dos combustíveis.

Habeas corpus
Alexandre Oliveira contou que aguarda o julgamento dos habeas corpus de Jussara e Danilo para uma semana ou 15 dias. O pedido liminar da liberdade de ambos foi indeferido no último dia 12 de julho.

A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) informou que o depoimento de Jussara foi prestado pela livre vontade da mulher, que poderia ter ficado em silêncio quando inquirida. Segundo a PC, a oitiva teria acontecido nesta terça e não na sexta (13), como apresenta o advogado. Ainda de acordo com a polícia, como ela está presa temporariamente e à disposição da polícia, não é obrigatório o aviso formal do advogado sobre essa coleta. Em relação ao acompanhamento jurídico, a PCPE confirmou que uma defensora do sistema prisional acompanhou o depoimento.

Procurada, a Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública do Estado negou que algum defensor da Colônia Penal tenha acompanhamento uma oitiva de Jussara, já que ela já tem advogado constituído. Questionada, a Questionada, a Seres informou, através de nota à Folha de Pernambuco, que “em casos emergenciais, como na ausência do advogado do reeducando, um advogado da unidade prisional pode acompanhá-lo durante o depoimento, desde que ele aceite”.

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