Em fase experimental, aplicativo do Grande Recife começa a funcionar

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Entre os usuários de transporte público, a sensação era de desinformação sobre o Sistema Inteligente de Monitoramento da Operação (Simop), que começou a operar nessa segunda-feira (8) na Região Metropolitana do Recife em fase de teste e em apenas um terço da frota. “Eu não estava sabendo. Uso BRT todos os dias e gostaria demais de usar esse serviço porque ajuda a vida da gente”, disse o mecânico montador Jeremias Silva, 42 anos, que utiliza a estação da Dantas Barretos para acessar o BRT. “Qualquer facilidade para quem passa o dia trabalhando e precisa de transporte público para se locomover é bem vinda.”

A novidade chega depois de quatro anos de espera. Trata-se de uma ferramenta que, além de servir para que o Governo do Estado acompanhe se as empresas cumprem os acordos firmados através de licitações, fornece aos usuários dados sobre as linhas de ônibus – como horário de chegada e saída e itinerários. Tudo exibido, por enquanto, apenas no aplicativo do Grande Recife disponível para download Android e IOS. As empresas irão instalar ou revisar os equipamentos instalados nos 2,7 mil veículos que compõem a frota do Grande Recife para que o projeto funcione de forma definitiva, beneficiando 1,8 milhão de usuários diariamente.

Em algumas estações de BRTs só era possível ver as caixas que vão dar suporte aos televisores. Em outras, sequer a estrutura existia. “Esperamos que até o final do ano o sistema esteja operando em toda a nossa frota”, pontuou o secretário das Cidades, Francisco Papaléo.

Por meio de nota, o Grande Recife informou que já foram realizados mil downloads do aplicativo de transportes. Isso dá uma média de um acesso por download – mil acessos. Sobre os equipamentos, 100% da frota de ônibus do Recife e Região Metropolitana já conta com o computador de bordo para o acompanhamento da operação do sistema. O aplicativo de transportes Grande Recife está disponível para a população em caráter experimental. Com ele, o usuário poderá conferir as opções de ônibus para chegar ao destino, o valor das tarifas, o horário das linhas, entre outras funcionalidades.

Nesta primeira fase, estão sendo contempladas as linhas Norte/Sul e Leste/Oeste do BRT e as administradas pela empresa Globo, a única que aderiu de forma voluntária ao Simop e fez parte do projeto piloto em 2015. O projeto começa a sair do papel depois da primeira rodada de negociações mediada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) no dia 24 de setembro, onde sociedade civil, Grande Recife Consórcio de Transportes e a Urbana, sindicato que representa as Empresas de Transportes de Passageiros em Pernambuco, determinaram a data para o início da fase experimental.

O Simop é um sistema criado com o objetivo de planejar, monitorar, otimizar, regular e fiscalizar as 25 mil viagens que são realizadas por dia no RMR. “Eu ouvi falar desses painéis anos atrás, vi alguns na integração, mas passava propaganda. Eu nem lembrava mais. A gente fica na esperança de que saia, já que é o nosso dinheiro investido aí. E seria muito bom contar com esse serviço. Hoje eu uso um aplicativo semelhante”, contou a estudante universitária Meyre Cavalcanti, de 28 anos.

A licitação internacional é de 2014, quando a empresa espanhola Etra ganhou o contrato de R$ 40,2 milhões, ficando responsável pela instalação de um de um projeto inovador que serviria como exemplo para o resto do Brasil. A multinacional está à frente de sistemas de informação como o do Transmilênio, corredor de BRT colombiano considerado um caso de sucesso no mundo.

O prazo máximo para a finalização do projeto seria em janeiro de 2019, mas o cronograma inicial previa o final da implantação para o final de 2015. Contudo o não cumprimento se deu principalmente, pelo atraso no início do projeto piloto, problemas com as empresas operadoras de rede de comunicações (2G e 3G), automação de processos internos, entre outros, segundo o Grande Recife por meio de nota.

O MPPE instaurou no dia 1º de agosto um inquérito civil para apurar o atraso na instalação do sistema e apurou que o atraso se deu devido à crise financeira enfrentada pelo Estado. Um aporte de R$ 2 milhões vindos da União em agosto irá garantir a continuidade do projeto até o final do ano. Do início do projeto, em 2015, até o fim do ano passado, já foram investidos R$ 23 milhões. Se o Governo não conseguir arcar com os pagamentos até o fim do prazo previsto na licitação, todo esse dinheiro é perdido, já que o sistema instalado e equipamentos utilizados pertencem à empresa espanhola, que repassa tudo para o Governo do Estado caso o contrato seja quitado.

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