Faltam médicos em Pernambuco, diz pesquisa

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Estrutura física precária e falta de investimento na carreira. Esses são alguns dos motivos apontados pelo presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (Cremepe), André Soares Dubeux, sobre a falta de médicos para suprir as demandas do Sistema Público de Saúde do Estado. A avaliação foi feita após a divulgação dos dados da pesquisa Demográfica Médica 2018, que mostram que em Pernambuco há 16.381 médicos para atender uma população de 9,4 milhões de habitantes. Ou seja, são 1,73 profissionais por mil habitantes, o que representa 21% a menos do que a média nacional.

“Vivemos uma situação contraditória. Esses números são de janeiro e de lá para cá houve um aumento no número de médicos formados, mas esse quantitativo tem sido mal distribuído”, sinalizou o presidente. Essa “má distribuição” é um dos grandes questionamentos do Conselho. “Pensar em formar mais médicos no Interior, por exemplo, não é garantia de que eles vão atuar naquela região. Não adianta aumentar o número de profissionais sem oferecer laboratórios qualificados, estrutura para exames de imagens, procedimentos mais básicos na área de saúde. Para piorar a situação, os vínculos municipais são precários e não temos a garantia do respeito aos nossos direitos. Não temos carreira de estado, isso tudo dificulta o atendimento à população“, finalizou.
De acordo com o levantamento feito pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com o apoio institucional do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, em Pernambuco, são 54,2% de especialistas para 45,8% generalistas, o que dá uma razão de 1,18 especialista para cada generalista. Os homens são 50,4% dos profissionais e as mulheres, 49,6%. A idade média dos profissionais é de 45,4 anos, com um tempo de formação médio de 19,5 anos.
A maioria dos médicos (55,5%) tem até 44 anos. As clínicas médicas concentram o maior número de especialistas (1.654), seguida pela cirurgia geral (1.196), pediatria (1.194), ginecologia e obstetrícia (928) e anestesiologia (659). As especialidades com menor número de especialistas são genética médica (5), nutrologia (8), medicina física e reabilitação (9), medicina esportiva (13) e radioterapia (16).

No Recife, moram 1,6 milhão de pernambucanos, que são atendidos por 11.624 médicos, o que dá uma razão de 7,12 profissionais por mil habitantes. A concentração de médicos morando na Capital é de 71%. Dos médicos que moram na Cidade, 53,2% são mulheres e 46,8%, homens. Os especialistas são 58,5% e os generalistas, 41,5% dos médicos que atendem na Capital pernambucana.

Questionada pela reportagem sobre o cenário de escassez de profissionais médicos, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirmou que esse “é um problema complexo, mas que não é exclusividade em Pernambuco”. Segundo o comunicado, “a solução deste problema perpassa por outras esferas de gestão, já que a estratégia de expansão das escolas de medicina não é uma prerrogativa dos governos estaduais, mas sim do Governo Federal, por meio do Ministério da Educação”.

A SES acrescente que, “dentro do processo de implantação do Programa Mais Médicos pelo Ministério da Saúde, uma das estratégias estruturantes que seriam contempladas pelo Governo Federal para a expansão e interiorização da formação médica no país era a implantação de novas universidades”. A Secretaria de Saúde também relembra que, em 2013, houve um concurso para médicos cuja lotação foi regionalizada. “Ao todo, desde 2015, já foram chamados 5,9 mil profissionais aprovados – o maior chamamento da saúde pública pernambucana. Desse total, 843 foram médicos“, ressaltou em nota.