Feira no Recife apresenta cadeira de rodas e óculos que identificam obstáculos para pessoas com deficiência

59

Uma cadeira de rodas que funciona por comando de voz do usuário e, através de um celular com aplicativo, identifica obstáculos à frente, e óculos para cegos que avisam, por meio de um sinal sonoro emitido pelo celular, se há obstáculos no caminho são alguns dos destaques de uma feira voltada para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que o Recife recebe até domingo (26). Com cerca de 35 estandes, a Mobility & Show Nordeste ocorre no RioMar Shopping, na Zona Sul da cidade, e tem entrada gratuita.

Ambos os projetos foram desenvolvidos pelo Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). A cadeira de rodas inteligente foi pensada para pessoas com deficiência motora ou neurológica. Segundo o diretor de extensão do IFPE, Victor Wanderley, tudo foi planejado para que fosse o mais fácil e acessível possível para o usuário. “São comandos simples de voz como frente, trás, esquerda, direita. A tecnologia tem que ser fácil de ser utilizada para que não haja uma barreira para as pessoas que não têm o costume do uso tecnológico”, pontuou.

Um conjunto de sensores de proximidade motora e de ultrassom de percepção forma o protótipo. Já a funcionalidade de identificar obstáculos pelo caminho é feita por meio de um celular com aplicativo, que é acoplado na cadeira. “É extremamente importante ter uma grande quantidade de sensores na cadeira para detectar desníveis nas calçadas e nos obstáculos na rua”, completou.

O projeto está no estágio de buscar parceiros para fabricar e inserir a ideia no mercado. Para Wanderley, a média estimada de preço da cadeira é de R$ 4 mil. Porém, a intenção é baixar o custo o quanto for possível. “Buscamos parceiros tecnológicos que possam desenvolver conosco o produto. Esse projeto não tem nenhum viés financeiro para nós. É um viés extremamente social de uma instituição pública para a sociedade. Queremos que a cadeira de rodas chegue para a sociedade de uma forma justa para que as pessoas possam usufruir dessa tecnologia amplamente”, contou.

Também na feira, o IFPE demonstra óculos para cegos que avisam a existência de obstáculos no caminho por meio de um sinal sonoro emitido pelo celular. “Eles emitem um bipe como se fosse um aviso de ré dos carros. Os óculos estão conectados ao celular por meio do aplicativo e o som sai desse celular”, explica o diretor. Com média de preço estimada em R$ 200, o projeto também busca parceiros para que o produto seja introduzido no mercado.

Medalhista paralímpico Clodoaldo Silva participa de feira voltada para pessoas com deficiência e baixa mobilidade (Foto: Thays Estarque/G1)

Medalhista paralímpico Clodoaldo Silva participa de feira voltada para pessoas com deficiência e baixa mobilidade (Foto: Thays Estarque/G1)

Medalhista paralímpico

Presente no evento, o medalhista paralímpico Clodoaldo Silva, prata na natação nos Jogos Rio 2016, disse ficar feliz por perceber como o assunto vem sendo tratado nos últimos anos. Detentor de seis medalhas de ouro, seis de prata e duas de bronze em cinco Paralimpíadas, o atleta lembra que não havia muitos projetos pensados para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida quando começou no esporte, em 1996.

“Não tínhamos mobilidade urbana. Essas inovações começaram a aparecer em 2004 quando o esporte paralímpico também começou a ter mais visibilidade. O mais legal de tudo isso é que o benefício não foi só para o esporte, foi para as pessoas com deficiência. Por isso, que hoje tem feiras falando de mobilidade e inovações. É uma alegria imensa para mim porque eu olho para trás e vejo que não tinha nada. Hoje, nós temos mais possibilidade de dar direito às pessoas com mobilidade reduzida de ir e vir”, afirmou.