Floresta criada por alunos na UFPE pode dar lugar a um imóvel

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Uma área verde idealizada e implantada há oito anos por alunos do Centro de Ciências Biológicas (CCB), com apoio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), pode dar lugar a um projeto elaborado pela própria instituição para a construção de um imóvel para abrigar uma secretaria.O espaço em questão é um sistema agroflorestal (SAF) que utiliza tecnologia com intuito de restaurar florestas e recuperar áreas degradadas. A técnica desenvolvida pelos estudantes ameniza limitações do terreno, minimiza riscos de degradação inerentes à atividade agrícola e otimiza a produtividade a ser obtida. O trabalho, inclusive, tem tido reconhecimento de outras instituições de ensino, empresas privadas e tem sido utilizado como laboratório vivo para pesquisas e projetos científicos.

“O que nós [biólogos] estamos fazendo aqui, se o próprio Centro de Ciências Biológicas quer destruir uma vitória de oito anos dos próprios estudantes? Qual o papel de um biólogo, se não é ter conhecimento de ferramentas da sustentabilidade?”, questionou a cofundadora do SAF do CCB, Mariana Maciel. Ela explica que só no ano passado mais de 300 pessoas, entre escolas, universidades e pessoas das comunidades do entorno visitaram o local, que ocupa cerca de 500 metros quadrados, para conhecer o trabalho desenvolvido por eles. “Imagine um campo que não tem nada e depois ver que desse solo virá o capim, depois a ervinha, uma muda, uma árvore, até chegar ao estágio clímax da floresta. É exatamente isso que fazemos aqui, trabalhamos imitando a natureza, criando núcleos com espécies misturadas”, disse Marina.

De acordo com os estudantes, mesmo que uma nova área seja ofertada pela UFPE, em contrapartida à construção dessa edificação, o trabalho que já vem sendo feito será totalmente perdido. “Esse sistema agroflorestal é o único, em universidade, aqui em Pernambuco. E na época em que foi criado (2010) recebemos o total apoio da direção do Centro de Ciências. A notícia da aprovação dessa obra foi feita sem consulta das bases. Ao nosso ver, essa estrutura poderia ser alojada em uma sala já existente”, relatou o professor de ecologia, Gilberto Rodrigues, um dos orientadores do grupo que iniciou os primeiros trabalhos para a construção do SAF.

Procurada pela reportagem, a diretora do CCB, Maria Eduarda de Larrazábal, explicou que o projeto de utilizar esse espaço para a construção de um imóvel não é novidade. “O sistema agroflorestal foi um projeto de extensão com início, meio e fim. Ele foi aprovado pelo Conselho Departamental, por ser considerado interessante, e isso não resta dúvidas, mas por ele ser executado em uma área interna de possível expansão do CCB, ele poderia ser suspenso, caso essa área precisasse ser utilizada. Isso não era perpétuo, em se tratando de um projeto de extensão”, esclareceu a gestora.

Entretanto, o professor Gilberto Soares contesta essa versão. “Foi sugerida essa área justamente porque estaria mais isolada, por não ter instalações elétricas e não haver projeto para essa área”, argumentou. Diante do imbroglio, a reportagem questionou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) se, por envolver ambiente com todas as características de floresta, a derrubada seria permitida. O chefe substituto do Núcleo de Controle e Fiscalização do IBAMA/PE, Gustavo Moreira, afirmou que, neste caso, “teria que ser solicitado ao órgão uma vistoria, caso identificadas espécies de mata nativa (Mata Atlântica), mesmo que plantadas, esse espaço compreenderia em uma área de preservação ambiental”.

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