Formas de orientações aos turistas para encontro com tubarões são estudadas em Fernando de Noronha

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O Instituto Chico mendes de Biodiversidade (ICMBio), está estudando formas de comunicação com os visitantes para os casos de encontro com os tubarões em Fernando de Noronha. As pessoas que trabalham com mergulho, turismo e pesquisadores acreditam que a população desses animais tem crescido nos últimos anos no arquipélago. Como tem aumentado também o número de turistas, existe a preocupação de orientar os visitantes, inclusive na possibilidade de um incidente.

Em dezembro de 2015  o contador paranaense Márcio de Castro Palma da Silva, perdeu a mão e parte do braço direito ao ser atacado por um tubarão em Fernando de Noronha .  “Existe a necessidade de nos preparamos para um eventual incidente com tubarões. Eu diria que Noronha está se deparando com um problema novo, estamos nos organizando. Depois de 2015 nós limitamos o horário de abertura da Praia do Sueste para o período de 9 às 16 horas.  Agora temos que estudar uma forma de comunicar os riscos às pessoas sem ser alarmista”, informou o chefe do Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio, Felipe Mendonça.

Segundo o representante do Chico Mendes, ainda não há uma de definição das formas de repassar as informações. “Nós podemos instalar placas, diferente da sinalização do Recife. É importante comunicar que é um ambiente natural e que tem tubarão. Reformulamos nosso site, podemos informar também nas bilheterias e posto do Parque Nacional Marinho”, disse Mendonça.

Pesquisadores falaram sobre estudo dos tubarões (Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo)

O ICMBio solicitou dos pesquisadores André Sucena Afonso, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e Léo Veras, curador do Museu dos Tubarões, uma sugestão de sinalização que pode ser implantada no arquipélago.  Os dois estão realizando o estudo do comportamento do tubarão-tigre em Noronha. Veras acompanha os animais há 27 anos e Sucena juntou-se ao estudioso local desde o início de 2016.

Atendendo a um convite do Instituto Chico Mendes, os pesquisadores estiveram reunidos com representantes do trade turístico, órgãos ambientais e Administração da Ilha para dar um resumo do estudo feito até agora. “Nós temos condições de informar que o Sancho é o local de maior concentração dos tubarões-tigre no chamado mar de dentro (região do arquipélago voltada para o continente). O Porto de Santo Antônio a Praia do Meio e a Conceição são os locais menos procurados”, disse André Afonso.


Pesquisadores instalaram transmissor (Foto: Divulgação)

Os estudiosos colocaram um transmissor acústico nos tubarões e os dados são analisados. As experiências de quase três décadas em Noronha indicam um possível aumento no número de tigres. “É uma percepção que ainda não está comprovada cientificamente, mas se comparada a pesca que realizamos nos anos de 1990 com agora a participações de tigres é muito maior. Naquela época nós capturávamos cerca de 20% do total de capturas e hoje cresceu para cerca de 50%”, revelou Léo Veras. 

Os pesquisadores consideram importante a implantação de placas de sinalização. “Nós temos que transmitir para as pessoas a cultura de como se comportar diante de um tubarão:  não se deve levar para o mergulho qualquer tipo de isca, não se deve perseguir, não pode tentar tocar no animal e não mergulhar só. O tubarão é um animal investigativo, mas muito cauteloso, até covarde, eu diria. Se ele encontrar um grupo de pessoas o tubarão se intimida”, finalizou Veras.

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