Há dez dias sem luz e água, moradores do Holiday recebem ajuda de voluntários

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Água, alimentos e afeto. Uma rede de voluntários vem prestando solidariedade e apoiando os moradores do Edifício Holiday, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, que se recusam a deixar o prédio, mesmo após decisão a Justiça para desocupar o local. Há dez dias, eles estão sem luz e, consequentemente, sem água.

Com 476 apartamentos e 17 andares, o prédio construído em 1956 apresenta uma série de problemas estruturais relatados pelos órgãos públicos desde 1996. Segundo o condomínio, os reparos não foram feitos por falta de verba. O edifício precisa ser desocupado até a quarta-feira (20).

Entre os voluntários quem vem ajudando os moradores está o pastor Evandro Souza, da Igreja Casa do Pai, localizada próximo ao Holiday. Através da instituição, cestas básicas e água foram arrecadados e entregues nesta sexta-feira (15), mas a ajuda vai além.

“Há a necessidade básica, água e comida. Também há a necessidade emocional. Nessa hora, não adianta dizer ‘Jesus te ama’, é preciso ouvir essas pessoas”, explica o pastor.
Os voluntários estão também auxiliando os idosos que moram no edifício e não têm condições de descer as escadas. “Estamos preocupados com vidas. Amanhã [sábado], estamos com uma equipe de apoio emocional. Precisamos de psicólogos, que venham dar um abraço. Tem pessoas que querem só ser ouvidas”, ressalta.

Além de ajuda emocional e de produtos básicos, engenheiros vem auxiliando os moradores nos últimos dias, inclusive orientando sobre a remoção de fiação irregular.

A falta de energia foi provocada por um curto-circuito no sistema da edificação. Por causa disso, mais de 90 famílias deixaram os imóveis, nesse período, aumentando o problema da falta de recursos no condomínio.

Corrida contra o tempo
O prazo para que proprietários e inquilinos deixem seus apartamentos termina na quarta-feira (20). Nesta sexta, a resistência em deixar os imóveis permanece. Durante o Bom Dia PE, moradores bateram panelas e pediram um prazo maior para tentar resolver a situação – tanto de conseguir outro lugar, como de tentar viabilizar a reforma emergencial.

O síndico do Holiday, José Rufino Neto, explicou que vem conseguindo apoio para elaborar os laudos e projetos necessários para a recuperação do prédio, além de reunir todas as pessoas que se disponibilizaram para atuar na obra.

“Se fosse possível, até o tempo a gente parava. Os órgãos estão corretos, temos problemas. Nós não queremos ficar aqui para correr risco de vida. Estamos querendo trabalhar, em conjunto com eles. Só pedimos o tempo para dar tudo certo”, afirmou.

A expectativa dos administradores do prédio é terminar o quanto antes a elaboração dos documentos, para entrar na Justiça com o recurso que reverta ou adie a ordem de saída.

“Vamos na Defensoria Pública para tentar entrar contra essa liminar. Não está tendo ajuda de custo para tirar esses moradores daqui. Nós estamos pedindo um prazo de pelo menos quatro meses para fazer a reforma e não ter que retirar os moradores”, apontou o subsíndico Josemir Tavares.

O secretário-executivo de Defesa Civil, Cássio Sinomar, explicou que os relatórios são essenciais para qualquer definição e que qualquer decisão vai ser emitida pela Justiça.

“O prédio está doente, precisa de um responsável técnico. Precisa que um engenheiro apresente um projeto e diga como a obra vai ser feita. Não adianta apenas ficar falando. O prédio precisa de soluções imediatas. Não cabe mais à prefeitura, apenas”, explicou o secretário.

Alternativas
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Social do Recife, uma das opções para os moradores é o abrigo na Travessa do Gusmão, que tem capacidade para até 100 pessoas. O número é incompatível com os cerca de 2 mil moradores que permanecem no Holiday.

Na quinta-feira (14), o juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública da Capital, Luiz Rocha, se reuniu com representantes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da Guarda Municipal para esclarecimentos técnicos depois da ordem de desocupação. Na ocasião, o juiz afirmou que não há possibilidade de reformar o prédio sem tirar os moradores.

A decisão de interditar o Holiday foi proferida em caráter liminar, na terça (12), após uma tutela de emergência requerida pela prefeitura do Recife. Também foi determinada à Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) a manutenção da suspensão do abastecimento da eletricidade no local.

Como o síndico do Holiday, José Rufino Neto, foi intimado na quarta (13), o prazo começou a contar na quinta (14), sendo encerrado no dia 20 de março.

Risco estrutural
De acordo com a Defesa Civil do Recife, o risco estrutural do Edifício Holiday é alto: em uma escala que vai de 1 a 4, o prédio encontra-se em grau 3. Segundo o órgão, o imóvel precisa de reformas imediatas por causa da queda de reboco e problemas nas fundações da edificação.

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