Índice de faltas a procedimentos médicos na RMR preocupa

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Municípios da Região Metropolitana (RMR) têm apresentado altos índices de faltas a consultas e exames nas redes municipais de Saúde. Levantamento feito pela reportagem junto às quatro maiores cidades do Grande Recife revela que o percentual de absenteísmo aos procedimentos sempre fica acima dos 20% e, em alguns casos, alcançou mais de 80%. Foram verificadas as faltas nas cidades do Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho.

A ausência sem comunicação prévia é um dos fatores que complicam os fluxos de saúde dos municípios, piorando gargalos de acesso da população e aumentando a espera de quem busca os serviços. “O absenteísmo hoje é um problema enfrentado por vários municípios e estados. Em Jaboatão temos uma média de 35% de faltas desses usuários. E o impacto é muito negativo. A gente teve cerca de 70 mil procedimentos que deixaram de ser utilizados apenas neste primeiro semestre”, disse o gerente de Fluxos Assistenciais Jaboatão dos Guararapes, Nilton Rodrigues de Carvalho.

Em números exatos, a cidade marcou 209.656 consultas especializadas e exames, mas 73.380 usuários não compareceram. Esquecimento, falta de comunicação com a unidade, incompatibilidade com horários de trabalho, dificuldade de locomoção e até falta de passagem no transporte público são as justificativas. O gestor alerta que o usuário faltoso acaba voltando para a fila de espera e embaralhando o acesso de outros pacientes se não há uma comunicação com antecedência.

O município vem trabalhando para reduzir o absenteísmo potencializando a questão do aviso por telefone e pelo aplicativo “De Olho na Consulta”, onde é possível acompanhar on-line as marcações e comunicar se o usuário não poderá ir até a consulta. Situação complicada também verificada no Cabo de Santo Agostinho. No município, em média de 50% dos pacientes que agendaram exames em clínicas credenciadas no primeiro semestre não compareceram. A taxa de consultas médicas perdidas foi de 20%. Os exames que mais registraram faltosos foram os de ultrassom, oftalmologia e em clínica que onde são realizados tratamentos de fisioterapia. Das 285 pessoas que marcaram fisioterapia entre 18 de junho a 13 de julho, apenas 101 pessoas compareceram as sessões, o que correspondeu a 65% de faltosos.

Para exames oftalmológicos, também no período que compreendeu junho e julho, o percentual de não comparecimento foi de 68%. No mês de abril esse índice foi ainda pior: 81%. A Secretaria de Saúde do Cabo explicou que uma vez perdido o agendamento, o sistema de marcação bloqueia o usuário e só libera para uma nova consulta ou exame 90 dias depois. O prejuízo nos diagnósticos de doenças e tratamentos também é citado pelo secretário municipal de saúde, José Carlos Lima, como fator de alerta. “O paciente também posterga o diagnóstico, na medida em que não conclui um tratamento”, destacou.

No Cabo, a prefeitura pede que o paciente que não puder comparecer comunique ao setor de marcação com até no mínimo três dias de antecedência. A problemática também persiste na Capital. No Recife, o índice de faltas fica entre 30% a 40%. A diretora de Regulação da cidade, Fernanda Casado comentou por mês são regulados cerca de 130 mil agendamentos e que existe a orientação aos pacientes para que informem a impossibilidade de comparecimento em até cinco dias antes para que haja um remanejamento da vaga. É rotina o estudo do absenteísmo e é aumentada a oferta de vagas de acordo com o número de faltas. Raio-x, consulta em Cardiologia e ultrassonografia são alguns procedimentos que registram muitas ausências, mas também aqueles com maior demanda.

O cancelamento pode ser feito na própria unidade de referência ou pelo telefone 0800.081.0040. A dona de casa recifense Liviane Medeiros, 35, confessou que já perdeu consulta por esquecimento. “Troquei as datas e fui dois dias depois. Tive que remarcar”, contou. Já a dona de casa Maria da Silva, 60, chegou a agendar suas vezes consultas com nutricionista e não foi. “Tive que fazer outras coisas.” Em Olinda, a taxa informada de absenteísmo pela prefeitura foi de 30%, mas a gestão não informou sobre índices detalhados de faltas.

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