Instituto do Fígado de PE faz campanha para conserto de aparelho de ressonância

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“Eu quero viver. Quero estar ao lado dos meus netos e filhos por mais tempo. Somos muitos esperando essa ajuda”. O apelo é do paciente Carlos José Pereira da Silva, de 54 anos, que há três anos viu sua vida mudar de rumo ao descobrir um câncer no fígado. Ele é um dos 4,8 mil pacientes encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ao Instituto do Fígado de Pernambuco (IFP) que esperam pelo exame de ressonância magnética disponibilizado pela equipe da unidade, que em nada pode avançar no tratamento dessas pessoas porque a máquina está quebrada há exatamente um ano. O conserto tem um alto preço: é preciso R$ 600 mil para que o maquinário volte a funcionar e única solução encontrada pelo IFP foi criar uma campanha para arrecadar o recurso e pôr um fim no drama de quem tanto espera pelo exame.

Intitulada “SOS IFP”, as pessoas podem contribuir com a campanha por meio da página eletrônica e procurar pela palavra “SOSIFP”. A doação financeira também pode ser via redes sociais do instituto (Facebook e Instagram – @ifppernambuco). A campanha segue até o dia 19 de janeiro do próximo ano. “Lançamos a campanha há uma semana e só conseguimos juntar R$ 2 mil. Por isso que contamos com a ajuda de toda a imprensa na divulgação da nossa campanha para ajudar nossos pacientes a continuarem seus tratamento”, pede a diretora-presidente do IFP, Leila Beltrão. Ela também lembrou a conta do IFP no Bradesco (agência: 0289-5; conta corrente: 131503-0). Só por mês, a máquina, adquirida há quatro anos pelo instituto, fazia 400 mil atendimentos. Agora, o IFP tem na sala uma máquina avaliada em R$ 3 milhões sem funcionar.

Vez ou outra, a merendeira Ana Lúcia Mariano, 58, tem crises de choro. “Sem essa máquina, como acompanhar a evolução do tumor no meu fígado? Ele está com 70% de se tornar um câncer e eu não tenho condições para bancar exames de ressonância por fora. Resta para a gente aguardar e ter fé de que vamos ter logo esse dinheiro para consertar a máquina”, desabafou. Um exame de ressonância magnética custa em torno de R$ 2 mil. Assim como Carlos José Pereira da Silva, ela teve complicações no fígado por causa da hepatite C.

Segundo Leila Beltrão, a ressonância magnética é um dos exames mais importantes por auxiliar em diagnósticos precoces de cirroses e tumores e, quando detectado, mede o tamanho do tumor e a sua localização exata, ajudando, assim, a equipe a acompanhar a evolução da patologia. “A situação está bem difícil porque há um ano que a máquina está quebrada e nesse período não conseguimos levantar os R$ 600 mil necessários para que ela volte a funcionar. É uma situação que pede pressa”, suplica a gestora do IFP. A máquina de ressonância magnética quebrou após sofrer um “quench” espontâneo, ou seja, quando todo o hélio usado para refrigerar é desperdiçado. “O hélio evaporou, atingindo o magneto, e a máquina deixou de resfriar, ou seja, deixou de funcionar”, complementou. Para atender parte da demanda, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) contratou uma empresa terceirizada. Mas, ainda assim, não tem sido suficiente.

Sobre o IFP

Fundado no bairro de Santo Amaro, área central do Recife, há 13 anos, o Instituto do Fígado e Transplantes de Pernambuco (IFP) é uma associação privada sem fins lucrativos, com atuação na pesquisa, prevenção e tratamento das doenças do aparelho digestivo. O IFP é o primeiro Centro de Hepatologia do Brasil destinado ao atendimento exclusivo aos usuários do SUS, oferecendo atendimento e estrutura diferenciada no diagnóstico e tratamento às pessoas com doenças gastrohepáticas das regiões Norte e Nordeste.

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