Investigação descarta tese de homicídio em morte de menino

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Ao que tudo indica, a morte de Arthur Luiz Barros Santos, 9 anos, encontrado enforcado dentro de casa, no último dia 16, no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife, realmente estaria relacionada a um desafio online segundo a investigação. A advogada da família Yêda Barbosa, em conversa com a Folha de Pernambuco, afirmou que até a perícia ser concluída no tablet e celular, não se sabe ainda qual jogo estaria relacionado com a morte do garoto.

“Uma semana antes do ocorrido, ele havia demonstrado muita ansiedade por conta do celular. A mãe chegou a reter o aparelho, dizendo que ele só iria usar no fim de semana. No dia seguinte, ela notou que ele estava com os olhos avermelhados, aparentando cansaço e descobriu que o celular estava debaixo do travesseiro dele e estava descarregado”, disse.

Aluno exemplar, filho carinhoso, educado e muito obediente. Arthur, segundo a advogada, não apresentava nenhum comportamento estranho, que pudesse caracterizar quadros depressivos, por exemplo. “A relação dele com os pais era muito boa. Ele sempre foi um menino muito amado e feliz. Na escola sempre tirou notas boas e nunca teve nenhuma reclamação”, cita.

Se for comprovado que o enforcamento foi induzido por uma espécie de desafio, Yêda Barbosa ressalta que é possível punir o culpado. “A indução ao suicídio tem culpado sim e é bom a gente alertar. Esse tipo de ação é tipificado pelo artigo 122 do Código Penal e tem pena de reclusão de dois a seis anos. Nos casos em que um menor é envolvido, essa pena pode ser maior”, esclarece.

Havia quatro linhas de investigação da Polícia Civil: suicídio, indução ao suicídio, acidente doméstico e homicídio. “A última hipótese foi descartada. A mãe de Arthur estava com a filha mais nova e ele jantando, quando ela terminou levou a menor para fora da casa e disse para ele ir quando terminasse. Ela deixou o portão aberto e ficou na calçada. Quando ela voltou e o viu pensou que fosse brincadeira, mas ele não respondia. Foi quando começou a gritar por ajuda. Ele foi socorrido ainda com vida”, disse Yêda. Ele estava com o fio embaixo do pescoço e de joelhos. A família também acredita que houve conduta desidiosa durante o atendimento dele. O garoto foi transferido para uma rede particular. A primeira entrada foi em uma unidade hospitalar localizada Caxangá, depois ele foi transferido para a Ilha do Leite.

“Nós vimos que ele não tinha acesso à veia e depois de 15 minutos foi que o médico disse que ele não poderia ficar sem o medicamento que seria aplicado. Ele precisava de UTI e, três horas depois, a médica ainda não havia solicitado a unidade. Depois de ameaçarmos ir para o Ministério Público, foi quando informaram que a UTI estava sendo liberada”, relatou a advogada. A delegada Thais Galba, do Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), disse que ainda não há novidade sobre a investigação.

Perigo

Os desafios que colocam em risco a vida de crianças e adolescente têm se propagado em grupos de estudante de escolas particulares do Recife. A arquiteta Caroline Figueira relata um caso próximo que ocorreu na sua família no ano passado, em que uma jovem de 13 anos acabou se mutilando por influência de vídeos e “jogos” compartilhados nestes espaços virtuais. “Existem vários grupos similares ao da Baleia Azul. Ela começou a assistir uma série de zumbi e começou a participar de grupos no Facebook sobre o seriado e depois esses grupos passaram para o WhatsApp e a assistir vídeos de mutilação, de desenhos feitos com giletes no próprio corpo”, disse.

De acordo com Caroline, o perfil dessas crianças e adolescentes são geralmente aquelas que não tem intimidade de conversar com os pais, que passam por problemas em casa, mas não tem com quem conversar e encontram nesses grupos pessoas que compartilham dessa mesma situação. “Ela tem acompanhamento psicológico, mas ainda não está totalmente bem. O caso foi levado para a direção da escola na época”, afirmou a arquiteta.

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