Laudo aponta violência sexual contra crianças em escolinha no Recife

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Os laudos sexológicos e psicológicos realizados nas crianças de uma escolinha particular no Recife comprovam que elas foram vítimas de violência sexual. É o que revela uma fonte, que pediu para não ser identificada, em entrevista exclusiva à Folha de Pernambuco. O marido da proprietária do estabelecimento é apontado como autor do crime e agora é considerado foragido. Os casos começaram a ser notificados no dia 28 de julho, quando uma das oito crianças se queixou de dores na região genital. Desde então, o caso está sendo acompanhado pela Policia Civil de Pernambuco (PCPE), por meio do Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA).

Com idades entre três e cinco anos, as seis meninas e dois meninos vítimas das agressões passaram por exames no Instituto de Medicina Legal (IML), onde foram identificadas lesões em duas delas. A partir dos resultados e dos relatos das crianças, constatou-se que, apesar de não ter acontecido penetração e rompimento de hímen, houve a prática de atos como beijos forçados e toques nas regiões genitais, o que já é considerado estupro pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A escolinha, que não possuía registro na Secretaria de Educação da Prefeitura do Recife, funcionava no térreo de um imóvel localizado numa área carente da capital pernambucana, e as agressões aconteciam no primeiro andar, onde o homem apontado como autor dos crimes morava com a família. A reportagem foi até o local tentar conversar com os envolvidos, mas foi informada pela comunidade de que o suspeito fugiu no dia 29 de julho e que e a esposa dele havia se mudado com as filhas há cerca de uma semana, com medo de represália.

A casa, que teve as janelas quebradas pela população revoltada, está passando por uma reforma para ser alugada. A PCPE e o delegado Ademir de Oliveira foram procurados para comentar o caso, mas a informação foi de que as investigações ainda estão em andamento e sob sigilo e que só se pronunciariam ao final das diligências.

Na época em que surgiram as primeiras denúncias, o delegado Ademir de Oliveira chegou a explicar que os pais que tinham filhos matriculados na escola conversaram entre si sobre o assunto e, assim, surgiram novas suspeitas. “As crianças falavam com os seus pais e diziam que ele praticava atos numa sala, diferenciada, no primeiro andar”, disse o policial, no início da investigação..

O psicólogo João Villacorta atende e coordena, há 10 anos, o Centro de Referência para o Cuidado de Crianças, Adolescentes e suas Famílias em situação de Violência (Cerca), um serviço que funciona dentro do Lessa de Andrade, oferecido pela Secretaria de Saúde da Prefeitura do Recife. “A melhor forma de os pais perceberem alguma coisa é estar sempre perto dos seus filhos, conversando, estabelecendo relações francas. Não é algo fácil, principalmente porque muitos desses abusos são praticados por pessoas do ciclo de confiança da criança. Mas com certeza é o melhor”.

*O endereço, nomes das vítimas, familiares, assim como das demais pessoas envolvidas no caso, serão preservados para que não haja exposição das crianças, como exige o Estatuto da Criança e do Adolescente

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