Locomoção no Grande Recife é mais difícil para mulheres e crianças, aponta relatório

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Usar modais de transporte público e se locomover nas ruas e avenidas das grandes cidades do Brasil podem não ser das tarefas mais fáceis para mulheres e crianças. Esta é a tese defendida pelo relatório “O Acesso de Mulheres e Crianças à Cidade”, produzido pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), que traz discussões sobre questões de gênero e direito às metrópoles.

Segundo o instituto, a proposta do trabalho é formular indicadores que possam contribuir para o planejamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas de mobilidade e desenvolvimento urbano a partir da perspectiva de gênero.

De acordo com o estudo, mulheres e crianças são as que enfrentam mais desafios para exercer o direito e acessar as oportunidades oferecidas no espaço urbano, visto que “as cidades foram construídas e planejadas a partir de padrões que reforçam as desigualdades de classe, raça e gênero e limitam a convivência e circulação de pessoas segundo a idade e habilidades físicas”, diz o relatório lançado em janeiro deste ano. O uso frequente de intervenções visando apenas transportes individuais, como os carros, é criticado pelo texto.

Os capítulos do trabalho trazem um estudo de caso realizado a partir de uma pesquisa qualitativa feita com mulheres moradoras de Recife e Região Metropolitana do Recife (RMR). Além do panorama com aspectos da mobilidade urbana na região, o documento elenca algumas recomendações necessárias para se pensar no acesso à cidade a partir de uma perspectiva de gênero e indicadores que podem contribuir para monitorar o acesso de mulheres e crianças.

Entre os principais desafios vivenciados por mulheres e crianças estão questões ligadas ao cuidado com a educação e saúde dos filhos para trabalhar e à segurança. Mulheres negras são as expostas a maior situação de vulnerabilidade e menor acesso potencial à cidade. “O Acesso de Mulheres e Crianças à Cidade” reitera a “valiosa colaboração da sociedade civil organizada” para aprofundar o entendimento sobre os desafios lançados nesses públicos . Um questionário socioeconômico e discussões com grupos focais foram realizadas durante o estudo de campo do projeto.

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