Mãe de menina do RN que ganhou coração no Recife quer conhecer família de doador

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O transplante foi realizado na madrugada desta quinta, no Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira (Imip), nos Coelhos, na área central da capital pernambucana. Por nota, a unidade de saúde informou, durante a manhã, que a menina seguia internada na UTI em estado muito grave.

Por telefone, Núbia contou que tudo aconteceu de forma muito rápida. Assim que chegou à capital pernambucana com a filha, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), na quarta-feira (3), ela recebeu a informação da equipe médica de que havia sido doado um coração para a menina, que tem uma cardiopatia grave.

A dona de casa afirmou que, em seguida, foi feito um exame de compatibilidade do órgão, que deu positivo. Evangélica, ela disse ter feito muitas orações. “Foi Deus quem conseguiu esse coração para Brunna”, declarou.

Para ela, agora começa uma nova fase na vida de Brunna, da família e de todos que acompanharam a luta da criança em busca do transplante. “O médico disse que vai me chamar para conversar e vamos saber como foi a cirurgia. Depois, começa a recuperação”, comentou.

Antes de conseguir o novo órgão, Brunna foi mantida viva por estar ligada a uma máquina de “oxigenação por membrana extracorpórea”, conhecida como ECMO.

Segundo o médico Madson Vidal, que acompanha a menina no Rio Grande do Norte, ela nasceu com um problema chamado “transposição das grandes artérias” e passou por um cirurgia paliativa ainda quando bebê.

Paciente do Sistema Único de Saúde (SUS), Brunna recebeu acompanhamento médico pela sua condição, mas, nas últimas duas semanas, precisou passar por um novo procedimento para melhorar a sua oxigenação. Segundo o médico, o tom de pele dela estava cada vez mais “roxo”. Neste novo procedimento, no entanto, o coração não suportou a circulação, de acordo com Vidal.

Luta
O Imip foi acionado pelo Sistema Nacional de Transplantes para receber Brunna e ela entrou na lista de prioridade máxima para doação de coração. Antes disso, a Central Nacional de Transplantes e a Justiça haviam negado autorização para o transplante no Hospital Rio Grande, onde ela estava internada.

A situação gerou um desabafo do médico Madson Vidal, que repercutiu redes sociais. “Não se deveria fazer contas ou haver ‘burocracias’ para tentar salvar uma vida”, disse.

Após uma mobilização de vários órgãos, foi viabilizada a transferência de Brunna para o Recife, em uma operação que envolveu 20 profissionais de diferentes áreas.

Na quarta-feira, antes de o coração compatível ser encontrado, o médico Fernando Augusto Figueira, do Imip, fez um apelo para que as famílias tomem conhecimento sobre a importância da doação de órgãos.

Fila
Dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), na quarta-feira (3), apontam que mais de mil pessoas estão na fila de espera para transplante de órgãos em Pernambuco. O número, segundo o governo estadual, poderia ser menor, caso mais famílias aceitassem doar os órgãos de entes falecidos.

Nos dois primeiros meses do ano, o índice de recusa foi de 36%. Segundo a Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE), um percentual aceitável de negativas deveria ficar em torno de 30%. Entre janeiro e fevereiro de 2019, Pernambuco realizou 93 transplantes de órgãos sólidos, entre coração (8), rim (56) e fígado (27) – um a mais que o mesmo período em 2018.

No Brasil, a doação só pode ser efetuada com a autorização de um parente de até segundo grau. De acordo com a pasta, a dificuldade em diminuir o número de pacientes na fila de espera por transplantes está diretamente ligada à falta de informações e preconceito.

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