Moradores impedem poda de árvore na Zona Norte do Recife

172

No bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife, duas paineiras de quase 150 anos provocaram a mobilização de moradores da rua Sebastião Alves na manhã desta quarta-feira (7). Eles são contra a poda das árvores centenárias que seria feita pela Prefeitura do Recife, através da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb).

“Nós vemos as podas radicais que a Emlurb faz e não queríamos que acontecesse o mesmo com a paineira”, defendeu Otília Gadelha, de 74 anos, moradora do Edifício Príncipe de Orange, ao qual a árvore está ligada, há quase 50 anos. De acordo com ela, a proposta da PCR era de cortar a árvore na altura do sexto andar do prédio para evitar o peso excedente.

A decisão, porém, começou a ser posta em prática sem a apresentação de laudos ou documentos que comprovassem a validade e necessidade do corte, como cobraram as pessoas no local. Ao mesmo tempo, os moradores do prédio responderam com um estudo feito por engenheiros ambientais que descartava a poda urgente de tal proporção.

Uma placa afixada no muro do prédio informa que as árvores são da espécie Chorisia Speciosa st Hill e foram tombadas em 29 de março de 1988, pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Floresta (IBDF) – agora extinto e substituído pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) . No site da Prefeitura há uma relação com 54 árvores tombadas no Recife e há menção ao endereço do Edifício Orange, mas com um nome um pouco diferente de espécie: Ceiba speciosa A.St.-Hil.

“Essa árvore faz parte da história do prédio, nós que pedimos o tombamento”, afirma Otília. Por estar no limite exato do terreno do edifício, os próprios moradores tomaram para si a responsabilidade de cuidar das paineiras. Engenheiros e especialistas foram chamados para cuidar da saúde da árvore, que tinha desenvolvido fungos. Na ocasião, os profissionais apenas recomendaram a poda de um galho de uma das paineiras.

A Emlurb, em resposta, reafirmou que as árvores não podem ser erradicadas e não era essa a intenção da Prefeitura. A autarquia também reiterou em nota que “O laudo elaborado pela engenheira da Emlurb aponta a necessidade apenas de uma poda de limpeza e rebaixamento para reduzir o volume da copa. A Emlurb ainda vai avaliar a necessidade de tratamento fitossanitário das árvores”.

Deixe seu Comentário!

Anuncie