Moradores protestam em reintegração de posse na Zona Sul do Recife

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Oficiais de justiça cumpriram na manhã desta quinta-feira (28) ordens judiciais de reintegração de posse em um terreno privado de propriedade da empresa Walmart, na avenida Recife, no bairro de Areias, Zona Sul do Recife, que era ocupado por cerca de 400 famílias desde o início do mês de março.

Os moradores organizaram um protesto contra a medida e fecharam o cruzamento da avenida Recife com a avenida doutor José Rufino ateando fogo em entulhos no início da manhã. Os bombeiros foram acionados para apagar as chamas e a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) enviou agentes ao local para controlar o trânsito, que ficou complicado.

Policiais militares do Grupo de Ações Táticas Itinerante (Gati) e do Batalhão de Choque foram acionados para cumprir a reintegração. Por meio de nota oficial, o Walmart afirmou que todo o processo foi “planejado, liderado e executado pelas autoridades públicas após decisão favorável do judiciário”. A rede acrescentou que, após a reintegração da posse do terreno, terá uma equipe de segurança privada no local para garantir a propriedade particular do espaço.

Os moradores do espaço lamentam a ação enquanto assistem a funcionários de uma empresa ligada à multinacional desmontarem seus barracos. A desempregada Vanessa Soares afirma que o terreno estava abandonado há vários anos e servia de local para crimes. “Viemos para cá na busca de uma moradia digna porque sabemos que pobre que ganha um salário mínimo jamais conseguirá ter sua casa própria. Vamos esperar para ver se pelo menos um auxílio sai pra gente. Agora só Jesus sabe para onde vamos”, disse.

A líder comunitária Maria de Lourdes da Silva relata como aconteceu a ação de reintegração. “Chegaram umas 5 horas. Aqui a gente tá em uma situação difícil. Crianças, idosos e pessoas chorando. Foi uma covardia. Vieram com uma ordem sem a gente saber de nada. Fomos pegos de surpresa”, reclamou. “Teve barraco pegando fogo. Se a gente não tivesse saído, tinha morrido”, completou.

“Chegaram já despejando o povo. O pessoal fez protesto, mas não adiantou. Não deixaram a gente nem tirar os móveis. Não temos nem para onde ir”, lamentou a moradora Verônica Rodrigues. O líder do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Maurício Santana, também criticou a ação. “O terreno tá abandonado há mais de 20 anos e ocupamos. Tinha família que pagava aluguel ou morava em casa de parente e veio pra cá. Os pobres não têm moradia e é porrada e bala de borracha”.

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