Moradores protestam por mais escolas em Passarinho

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Moradores do bairro de Passarinho, na Zona Norte do Recife, protestam nesta terça-feira (13) em reivindicação por mais escolas públicas na comunidade. O ato “Escola na Praça” é organizado por lideranças e denunciam o déficit na educação básica. Segundo os moradores, 87 crianças de zero a dez não têm vagas para estudar. A única unidade de ensino que existe é a Escola Municipal Marluce Santiago, que atende 414 alunos nos turnos da manhã e tarde.

O conselheiro tutelar do bairro Vado Luz diz que já recebeu 80 denúncias de crianças fora da escola em Passarinho. “O Conselho Tutelar está recebendo várias denúncias de crianças que estão sendo violadas dos seus direitos de matrícula na rede pública de ensino municipal. Isso acontece há cerca de três anos. Queremos do município novas escolas e alternativas para solucionar os problemas. Não temos escola de ensino médio e nem creches”, denunciou. Entre as opções, Vado propõe construção de mais escolas e realocação de prédios alugados.

Uma ação foi impetrada no Ministério Público e o prefeito Geraldo Julio foi condenado em primeira estância. “Essa ação foi julgada e o prefeito foi condenado a matricular as crianças em escolas particulares, mas recorreu e o julgamento em segunda instância acontece hoje [nesta terça] no fórum Tomaz de Aquino”, disse. “Esperamos que os movimentos da comunidade possa fazer garantir essas melhorias”, acrescentou.

A educadora Edclea Santos, de 60 anos, afirma que apenas 18 vagas foram disponibilizadas na Escola Marluce Santiago. “Quando as famílias não conseguem vagas nela, precisam recorrer a escolas de Dois Unidos, da Linha do Tiro e de Olinda”, reclamou. Edclea também ressaltou que existem duas escolas particulares no bairro, mas nem todas as mães têm condições para pagar e também são lotadas. “A maioria das mães está desempregada e não pode colocar os filhos em escolas particulares. O prefeito precisa fazer uma escola maior para caber todo mundo”, finalizou.

A vice-gestora da Escola Marluce Santiago, Graça Barbosa, também defende a construção de uma nova escola como solução. “Os alunos suprem a necessidade da escola, pois quem era do 1º ano passa para o 2º, do 2º para o 3º e assim sucessivamente. Abrimos 18 vagas para a educação infantil no início do ano. O restante é apenas complemento. Infelizmente não temos vagas, nossas salas estão superlotadas, com 23 alunos, mais que isso não pode. A solução é a construção de uma nova escola”, declarou.

A dona de casa Samaria da Silva, de 34 anos, mora na comunidade há oito anos e reclama que filho mais novo está sendo prejudicado pela situação. “Um está estudando no Marluce Santiago e o outro, de quatro anos, está fora da escola. Não consegui vaga para ele em nenhum lugar. Quando chegamos lá, quem nos atende só diz que não tem vaga”, afirmou.