No Recife:Construção irregular de prédio gera polêmica no bairro da Várzea

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A construção de um edifício com 23 pavimentos, na rua Amaro Gomes Poroca, no bairro da Várzea, está causando polêmica entre os moradores da área. Primeiro porque o porte da construção está fora do padrão do bairro, que possui característica tradicionalmente plana, composta por casas e prédios mais baixos. A segunda questão envolve a licença para a construção. Sob responsabilidade da Campos Gouveia Incorporação, o empreendimento foi embargado pela Diretoria Executiva de Controle Urbano do Recife (Dircon), que aplicou uma multa de R$ 6.214 no último dia 8 de agosto. No entanto a medida foi descumprida pela incorporação.

“Para regularizar a situação, os responsáveis pelo empreendimento devem comparecer à Central de Licenciamento, em Afogados. Só então eles poderão continuar os trabalhos. A fiscalização da Dircon vai continuar a realizar rondas no local para se certificar que os trabalhos não foram reiniciados”, declarou o órgão, por meio de nota. De acordo com o proprietário do terreno, Breno Campos Gouveia, o embargo teria sido feito de forma irregular porque mesmo sem a licença o projeto inicial foi aprovado. “Reconheço que ainda estamos emitindo todos os documentos necessários para entrar com o pedido de licença, mas estando com o projeto aprovado eu posso fazer a fundação do terreno”, justificou Breno.

Sobre a repercussão da chegada do edifício que comportará 87 apartamentos, ele compreendeu que toda construção gera impactos. “É natural, por se tratar de uma construção grande. Existe uma demanda muito grande por apartamentos de um quarto e três quartos nessa região”, disse. Para a arquiteta e moradora do bairro Clara Moreira, a preocupação da comunidade é sobre o impacto urbanístico que esse tipo de construção trará. “A divulgação desse prédio chamou a atenção de todo mundo por ser um projeto bem atípico, mas não corresponde ao que desejamos para o nosso bairro, que é predominantemente horizontal, com casas e prédios baixos, uma área voltada para pedestres.”

O advogado Bernardo Weimstein ressalta que o bairro não é saneado e que há problemas de abastecimento de água, o que agravaria a situação com a chegada de prédios com mais de 20 pavimentos. “Em uma área que só há casas, esse tipo de adensamento não é pertinente.”

A reportagem questionou a Dircon para saber se há um estudo de impacto viário e sanitário para a construção desse porte nessa rua, mas o órgão não se posicionou. Moradores farão uma mobilização neste sábado (18), no Espaço Agroecológico, na praça da Várzea, das 8h às 10h, com o tema “Mapeamento Socioafetivo da Várzea”.
Haverá a coleta de assinaturas para um abaixo assinado que será enviado posteriormente a Prefeitura do Recife.

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