Noronha ganha placas de alerta de tubarão e outras ameaças

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Projeto anunciado há sete meses, em outubro passado –, a colocação de placas de alerta para banhistas sobre a presença de tubarões no arquipélago de Fernando de Noronha saiu do papel nessa sexta-feira (1º).

A sinalização, que em seu formato final ampliou o leque para outras ameaças marinhas, foi idealizada pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal responsável por gerir o Parque Nacional Marinho, onde estão inseridas as diversas praias da ilha.

A iniciativa surgiu depois que as autoridades do ICMBio tiveram acesso a dados inéditos, descobertos por meio de um monitoramento feito com a espécie de tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier), um projeto da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) com a colaboração do Museu do Tubarão.

Desde 2016, estavam sendo monitorados 40 animais – 20 deles por meio de transmissores via satélite inseridos na dorsal do tubarão. Os demais eram acompanhados por transmissores acústicos colocados na barriga, por meio de cirurgia. Constatou-se, por exemplo, que a espécie, listada entre as mais agressivas do planeta, ao contrário do que ocorre no Recife, tem comportamento migratório e não utiliza o arquipélago só como um local de passagem. Indivíduos permanecem nas praias da ilha devido ao amplo banquete de tartarugas, raias e golfinhos.

A baía do Sancho apareceu como o lugar com maior incidência do bicho. Além desta, há registros mais frequentes nas praias Sueste e Leão. As três foram escolhidas como projeto-pilolto da sinalização. “São essas praias, por enquanto, que ficam dentro do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. Dentro da APA, a responsabilidade é da Administração de Pernambuco”, explicou o geógrafo Felipe Mendonça, gestor do Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio em Fernando de Noronha (NGI/ICMBio).

Outras ameaças Mendonça também salientou que o modelo da sinalização obedece ao estudo de todas as possíveis ameaças naturais para os banhistas nas praias. “A placa foi pensada dentro do Conselho do Parque. Em uma análise, a gente identificou outras ameaças, tão ou até mais perigosas do que o tubarão, aqui em nosso contexto, como as correntes marinhas, as ondas de cachote, as moreias, as águas-vivas, as arraias”, relacionou o gestor.

“A gente buscou trazer todos esse itens, todos esses potenciais riscos que existem na praia, entre eles, o tubarão. As placas buscam ser muito mais informativas do que alarmistas. A gente acha que elas contribuem no conjunto de informações ao turista”, definiu.

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