Olinda:“Criminosos que assassinaram artista plástica não eram profissionais”, diz delegado

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As investigações da morte da artista plástica Maria Alice Soares dos Anjos, de 74 anos, que também era arquiteta e foi uma das fundadoras do bloco carnavalesco Eu Acho é Pouco, ficarão sob responsabilidade da 9ª Delegacia de Homicídios de Olinda, da Polícia Civil de Pernambuco. Segundo o delegado Ricardo Silveira, os criminosos que assassinaram a idosa não eram profissionais.

“A primeira constatação é que casa da vítima não apresentava sinais de arrombamento. O meio empregado e a forma como foi executada apontam que os criminosos que praticaram o delito não são profissionais”, comentou o delegado, que informou que os homens não utilizaram arma de fogo e também não levaram grande quantidade de bens. “É uma ação típica de pessoas, possivelmente usuários de drogas, que pretendiam subtrair objetos de pequeno valor”, completou Silveira.

De acordo com o investigador, alguns cômodos da residência estavam revirados e a bolsa da vítima não foi encontrada. “É uma linha de investigação que ainda não pode ser considerada como definitiva”, comentou o investigador, que pediu que a comunidade ajude a polícia na identificação dos suspeitos. As investigações do crime ficarão sob responsabilidade da delegada Andréa Griz, que esteve no local do crime na manhã desta quarta-feira (14). A polícia ainda não sabe precisar quantas pessoas participaram do crime.

Os suspeitos teriam utilizado uma pedra e um vaso de plantas para atingir a cabeça da vítima. O corpo de Baixinha, como era conhecida, apresentava lesões contundentes na região da cabeça, além de escoriações no joelho. Ela foi encontrada morta, de camisola, no quintal da casa onde morava, na noite da última terça-feira (13), na rua 13 de Maio, no Sítio Histórico de Olinda. Vizinhos sentiram falta da idosa durante uma aula de pilates e decidiram pular o muro da casa dela para tentar encontrar a mulher. O corpo foi localizado pelos moradores da área às 21h40.

Familiares informaram que a mulher já havia prestado queixa, recentemente, que teria sido vítima de furto. A delegada Andréa Griz informou que a polícia não encontrou a denúncia. “Checamos o registro da Polícia Civil e não há nada disso nas delegacias e nem no sistema da Delegacia Interativa”, comentou a investigadora. Câmeras da Secretaria de Defesa Social (SDS) instaladas nas proximidades da casa da vítima podem ajudar na investigação, assim como depoimento de vizinhos e testemunhas.

Perícia
Peritos do Grupo Especializado em Perícias de Homicídios (GEPH), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), colheram vestígios logo após o crime. Eles retornaram ao local para uma investigação complementar na manhã desta quarta. Segundo o perito Diego Costa, gestor do GEPH, o objetivo é encontrar detalhes que possam ajudar nas investigações.

“A gente conseguiu fazer o levantamento de impressão digital, conseguiu identificar alguns materiais para fazer esse levantamento. Mas, inicialmente, vamos comparar com as digitais dela, já que é mais comum encontrar digitais da vítima, mas lógico que a gente não descarta a possibilidade de ser uma digital de uma pessoa que invadiu a casa”, comentou o perito.

Diego Costa informou que havia uma certa facilidade para acessar a casa da vítima. “A gente ainda não encontrou sinal de arrombamento, mas existia uma certa de facilidade de acessar a casa: um muro baixo na parte dos fundos. Então, para entrar no terreno não era difícil. O que a gente está tentando identificar é como acessou a casa”, disparou o perito.

A perícia acredita que o crime pode ter acontecido em até 24h antes do corpo ter sido localizado. “Em relação ao tempo, há uma estimativa em torno de 24 horas. Ao que tudo indica, da segunda para a terça à noite. O resultado do exame tanatoscópico do IML vai poder analisar melhor o tempo da morte”, finalizou Diego Costa.

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