Outros trabalhos podem ser feitos no Cais Estelita antes do início das obras, diz representante do Novo Recife

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A demolição dos armazéns do Cais José Estelita, do Centro do Recife, foi suspensa na tarde da terça-feira (26) por ordem da 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital. Nesta quarta-feira (27), o representante do consórcio Novo Recife, Eduardo Moura, explicou que outros serviços podem continuar, como remoção de entulhos e limpeza do terreno. A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

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“A determinação [da Justiça] é para que não haja demolições. Temos a oportunidade de limpar o terreno, tirar o entulho, fazer instalações provisórias e uma série de serviços antes do início efetivo das obras. Espero que a retirada das paredes que ainda restam seja retomada legalmente”, disse. Em caso de descumprimento da ordem da Justiça, há uma multa diária de R$ 5 mil.

O projeto para a área gera polêmica desde 2012 e prevê a construção de 13 prédios, cujos projetos variam de 12 a 38 andares. Do espaço total do terreno, 35% terá ocupação privada e 65% pública, segundo o Consórcio.


Ficamos sabendo da alta procura ontem (26) e hoje (27) estamos preparados para pregar currículos e informação dos profissionais, em respeito às pessoas que estão aqui”, disse Moura.

Para atender quem está na fila de emprego, o cadastro começa nesta quarta-feira e, segundo o representante do consórcio, todos serão atendidos, sem hora para encerrar a movimentação. A expectativa é que, durante o curso das obras, 500 vagas de emprego sejam preenchidas, mesmo que a Justiça intervenha na demolição, apontou o engenheiro.

O Tribunal de Justiça explicou que “segundo a decisão, podem ser realizados apenas limpeza e remoção de entulhos. Quanto a estaqueamento e fundações não podem ser promovidos porque são procedimentos que implicam em obras”.

Polêmicas antigas
O terreno onde estão localizados os armazéns pertencia, originalmente, à Rede Ferroviária Federal S.A (Refesa) e foi arrematado num leilão realizado em 2008, pelo Consórcio Novo Recife, composto pelas empresas Moura Dubeux, Queiroz Galvão e GL, sendo o único participante da disputa.

O plano prevê a construção de 13 torres residenciais e comerciais de até 38 andares em frente à Bacia do Pina e, ao longo de sete anos, provocou uma série de manifestações, envolvendo ativistas, artistas e entidades da sociedade civil.

Na segunda-feira (25), o caso voltou à tona após um alvará expedido pela prefeitura permitindo a demolição de dois armazéns, o que foi iniciado pelo consórcio responsável pela obra. O movimento Ocupe Estelita, formado por diversas entidades da sociedade civil contra o projeto, começou uma ocupação no local. Na terça-feira (26), a Justiça suspendeu a demolição a pedido do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

Ocupe Estelita
Depois de o Consórcio Novo Recife ter iniciado a demolição dos armazéns do local no dia 21 de maio de 2014, um grupo de manifestantes iniciou um acampamento no Cais José Estelita no dia seguinte.

Segundo os manifestantes, as máquinas pararam o serviço após uma advogada do movimento Direitos Urbanos, que, desde o começo do projeto, pressiona a gestão municipal contra a construção, ter alegado que o alvará apresentado pelos seguranças era uma cópia do original.

Manifestantes também acamparam na casa do prefeito Geraldo Julio (PSB). Cerca de 200 pessoas passaram a noite do dia 7 de maio de 2015 no local, pedindo reabertura de diálogo sobre o Plano Urbanístico para a área.

Durante a ocupação, o movimento Ocupe Estelita promoveu festas no local, com apresentações de artistas como Otto. Em outras ocasiões, houve confronto com a Polícia Militar para que o acampamento fosse retirado do local, devido a ordens de reintegração de posse. O grupo voltou, em 2019, a protestar contra o projeto.

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