Pai de médico diz que não perdoa neto nem pretende visitá-lo no Cotel

71

Pouco mais de dois meses se passaram desde o dia do desaparecimento do médico Denirson Paes, assassinado aos 54 anos. O crime que tirou a vida do médico em um condomínio de luxo em Aldeia, na Região Metropolitana do Recife, e chocou Pernambuco ainda não chegou a um desfecho final. Na tarde desta quinta (1), aconteceu mais um capítulo desse assassinato bárbaro.

Após uma conversa informal com a polícia nesta quinta em Pernambuco, o pai do médico, o aposentado Francisco Ferreira, 79, foi taxativo em entrevista à imprensa: não consegue perdoar a nora, Jussara Paes, nem o neto Danilo. Mãe e filho são suspeitos do crime e estão presos provisoriamente.

O aposentado contou que não consegue perdoar o neto, que tem 23 anos, e que também que não pretende visitá-lo no Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna, em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife, onde está preso desde o último dia 5 de julho. “Até por uma questão de julgamento da sociedade, poderia até cumprimentá-lo, mas perdoar já é mais forte”, disse.

O pai do médico esteve no fim da manhã na Delegacia de Camaragibe, na RMR, a convite da delegada Carmem Lúcia, responsável pela investigação do assassinato. Ele comentou que a conversa não chegou a ser um depoimento e que teve um tom informal. “A delegada queria me conhecer. Saber do relacionamento do Denirson com ela (Jussara). Contei pouca coisa porque faz tempo que não venho aqui”, explicou.

Questionado sobre como era conduzido o casamento do médico com Jussara Paes, Francisco disse que ela gostava muito de ostentação e quem pagava tudo era o médico. “Ela viu na separação a situação de não manter aquele estado que ela conseguiu junto com Denirson”, contou.

Sobre o que esperar dos próximos passos do caso, Francisco, que mora em Campo Alegre de Lourdes , no interior da Bahia, disse aguardar o inquérito para seguir a vida. Ele contou também que a mãe de Denirson anda muito abalada, sem compreender o momento. Como avô, afirmou também que vai dar todo suporte ao neto mais novo, Daniel Paes. “Quem passa pelo que nós passamos sempre que a justiça atua na direção de uma condenação. É uma prestação de contas não para mim, mas para sociedade”, desabafou.

Entenda o Caso

O desaparecimento do médico cardiologista Denirson Paes da Silva vinha sendo investigado desde o início de junho. Em um Boletim de Ocorrência registrado no último dia 20 de junho sobre o desaparecimento do marido, a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes, 54, alegava que a vítima teria viajado para fora do País e que não teria retornado. A delegada Carmem Lúcia, de Camaragibe, desconfiou do envolvimento dos familiares e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam.

Para a polícia, há indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do cadáver do médico, encontrado no último dia 4 de julho dentro de uma cacimba na casa onde morava, no condomínio Torquato Castro, na Estrada de Aldeia, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. Os dois estão presos.

Vizinhos do médico afirmaram que dois funcionários dele prestaram depoimento. Um deles teria afirmado que a esposa da vítima o chamou dias atrás para fechar, com cimento, uma cacimba que já estaria fechada com uma tampa “bastante pesada para ser carregada por uma pessoa só”. O homem teria notado um mau cheiro, mas a farmacêutica alegou que um gato tinha morrido dentro da cacimba.

O segundo funcionário contou à polícia que o médico, pouco antes de desaparecer, tinha explicado a ele que não precisaria mais de seus serviços porque estaria se separando e iria morar no Recife.

Deixe seu Comentário!