Pernambucanos na Austrália comentam onda inédita de queimadas no país

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Para Flávia Belfort, pernambucana que mora em Melbourne, no estado de Victoria, a mudança para os moradores são claras. “Hoje eu consigo visualizar pessoas na rua com máscaras, todos os hospitais estão fazendo doações”, afirma. Ainda, ela relata que os cidadãos passaram por momento difíceis na noite de ano novo. “O ano novo aqui foi um pouco diferente, as pessoas foram convidadas a ir para uma praia específica, mas não para celebrar, e sim para fugir da fumaça e das queimadas”, contou.

O recifense Gustavo Benevides, 30, foi uma das pessoas que viveu dificuldades na noite de ano novo na Austrália. O engenheiro eletrônico mudou-se para Sydney à trabalho e decidiu passar a noite de ano novo com a família em Sussex Inlet, cidade localizada a 2 horas ao sul de Sydney. Porém, a viagem foi prejudicada quando um forte incêndio atingiu as proximidades da cidade turística.

“No dia 31 começou a ter um incêndio muito forte lá perto, tal ponto que a fumaça cobriu o sol e todo o céu, faltou energia na cidade e não dava para entrar e nem sair”, contou Gustavo. A família precisou adiar a volta para casa em 48h porque as estradas estavam incendiando e foram bloqueadas por autoridades. Para ele, a cena foi assustadora. “Era uma coisa que parecia de filme de apocalipse… Você via helicóptero pelas ruas, via bombeiros”, descreveu.

Também do Recife, o profissional de educação física e adestrador de cães Jordanno Ramos, 28, se mudou para a cidade de Gold Coast, na Costa Leste da Austrália, há quatro meses em busca de melhores oportunidades de trabalho.

A cidade onde o recifense Jordanno mora ainda não foi atingida diretamente pelas queimadas, mas o fogo que ocorre no entorno da região deixa consequências graves para os moradores. “Onde eu moro não foi fatalmente atacado pelo fogo, mas a 14km daqui da costa teve um incêndio, então afetou a cor do céu e a condição do ar”, explicou.

Todos os anos, a Austrália passa por queimadas naturais provocadas pelas altas temperaturas combinadas ao baixo índice pluviométrico e os fortes ventos, que acabaram colaborando com a disseminação das chamas entre as vegetações ressecadas. Cientistas analisam que a agravação do fenômeno pode ser atribuída à crise do clima, que fez 2019 ser o ano mais quente já registrado no país desde o início do século 20.

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