Polícia investiga suposta atuação de candidatura ‘laranja’ do PSL em Pernambuco

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A Polícia Civil de Pernambuco investiga denúncias de desvio de dinheiro público publicadas pelo jornal “Folha de S.Paulo” no domingo (10). De acordo com a publicação, a candidata a deputada federal pelo Partido Social Liberal (PSL) em Pernambuco Lourdes Paixão teria atuado como “laranja” nas eleições 2018.

Lourdes Paixão recebeu R$ 400 mil da direção nacional do PSL. Ela obteve 274 votos no pleito de 2018. O valor recebido por ela é o terceiro maior concedido pelo partido.

A reportagem da “Folha de S.Paulo” afirma que um grupo ligado ao presidente do PSL, Luciano Bivar, eleito deputado federal por Pernambuco, teria feito de Lourdes Paixão uma candidata “laranja”. Bivar foi eleito, no dia 1º de fevereiro, o segundo vice-presidente da Câmara Federal.

O dinheiro do fundo partidário foi enviado para a candidata pela direção do PSL, que tinha como presidente, na época, o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

A denúncia foi o estopim de uma crise no governo federal, que se agravou após o vereador Carlos Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), desmentir o ministro. Bebianno disse, na terça (12) ao jornal “O Globo”, que teria conversado sobre o assunto três vezes com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) enquanto este estava internado em um hospital em São Paulo.

Em uma rede social, o vereador classificou a afirmação de Bebianno como “mentira absoluta” e divulgou um áudio que mostra Jair Bolsonaro se recusando a falar com o ministro. Depois, o presidente compartilhou as mensagens do filho na mesma rede social. Diante da crise, passou a ser cogitada a saída do ministro do governo. Ao blog de Andréia Sadi, Bebianno voltou a afirmar que não existe crise e que não pretende pedir demissão.

Investigação
A investigação da Polícia Civil de Pernambuco sobre a suposta candidatura “laranja” está a cargo do Departamento de Repressão ao Crime Organizado e Corrupção (Draco). De acordo com a assessoria da Polícia Civil em Pernambuco, o procedimento é chamado de Verificação Preliminar de Investigação (VPI), que acontece antes da abertura do inquérito.

A Polícia Federal (PF) também apura o caso e intimou Lourdes a depor. O depoimento estava marcado para esta quinta-feira (14), às 11h, mas houve um pedido para adiamento, feito pelo advogado da candidata. Uma nova data ainda não foi marcada.

Lourdes deve ser ouvida no que a Polícia Federal chama de “registro especial”, um procedimento anterior à abertura de inquérito, para verificar se há indícios suficientes para justificar uma investigação.

“Ela vem na condição de colaboradora. Não tem ainda nenhum tipo de investigação instaurada contra ela. Vamos ouvir informações, tirar algumas dúvidas. Isso é feito através de um registro especial, que é um procedimento que a Polícia Federal sempre faz, antes de qualquer tipo de investigação”, afirmou o assessor da PF em Pernambuco, Giovani Santoro.

De acordo com ele, a iniciativa da intimação foi da Polícia Federal, em conjunto com a Justiça Eleitoral. “Tomamos conhecimento da veiculação de uma matéria sobre esse caso e achamos oportuno checar os fatos em andamento. Ela vai ser ouvida aqui como colaboradora, para prestar esclarecimentos. Ela não é investigada nesse momento”, disse Santoro.

Em nota, a Procuradoria Regional Eleitoral em Pernambuco (PRE-PE) informou que propôs ação de impugnação de contas eleitorais contra Lourdes Paixão. A ação é sigilosa.

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