Policial acusado de ser dono de casas de jogos de azar é expulso da PM

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O cabo da Polícia Militar de Pernambuco Antônio Jacinto de Oliveira Júnior, 40 anos, foi expulso da corporação em portaria publicada no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (5). O policial foi acusado pela Operação Trevo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 12 de novembro de 2014, de ser o líder de estabelecimentos de jogos de azar em diversos bairros do Recife.

A portaria assinada pelo secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, afirma que o militar “feriu os preceitos éticos” da polícia e demonstrou “não possuir condições éticas de permanecer integrando” a Polícia Militar. Na época, a polícia apreendeu equipamentos eletrônicos usados nos caça-níqueis na casa do cabo.

Além do envolvimento com os jogos de azar, ele foi acusado de exercer atividade comercial durante licença médica e não atender a um chamado para ser ouvido em sindicância nesse período. Ele alegou a licença, mas foi encontrado em um show de pagode.

Operação Trevo
A Operação Trevo investigou uma quadrilha acusada de gerenciar um esquema de jogos ilegais e lavagem de dinheiro em 13 estados. O cabo Antônio Jacinto foi apontado como o responsável por cuidar da instalação das casas de jogos de azar e blindar a repressão policial nas localidades. A PF estimou em R$ 1,5 bilhão o montante movimentado pela organização criminosa nas práticas de jogo do bicho, montagem de máquinas caça-níqueis e comercialização irregular de títulos de capitalização.

Cerca de 300 policiais participaram das investigações, que duraram nove meses, nos estados de Pernambuco, Alagoas, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, do Amazonas, Espirito Santo, Pará, Rio de Janeiro, Piauí, Rio Grande de Sul, da Bahia e Paraíba.

De acordo com a PF, a quadrilha agia em três segmentos. O primeiro repassava os valores arrecadados em loterias estaduais a entidades filantrópicas de fachada, fazendo com que o dinheiro retornasse ao grupo, com indícios de lavagem de dinheiro.

Em nota, a polícia diz que o grupo atuava na “comercialização de bilhetes lotéricos ocultados em título de capitalização em sua modalidade popular, apropriando-se dos valores que deveriam ser destinados a instituições beneficentes ou revertidos em capitalização, obtendo vantagem ilícita em detrimento do povo”.

Outra frente da organização, com sede em São Paulo, conforme a PF informou, era responsável pelo fornecimento de máquinas caça-níqueis para outros estados e para o exterior. O grupo, segundo as investigações, também atuava para garantir o dinheiro usado em bancas de jogo do bicho no Nordeste, promovendo lavagem de dinheiro.

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