Prefeito de Camaragibe fez ameaças à vida de servidores públicos, diz Polícia Civil

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Durante a Operação Harpalo, que investiga irregularidades na prefeitura de Camaragibe e afastou um secretário municipal, a Polícia Civil constatou que um vereador e uma servidora pública do município sofreram ameaças à própria vida por “saberem demais”. As intimidações, segundo a delegada Jéssica Ramos, eram feitas a mando do prefeito Demóstenes Meira (PTB).

A prisão do gestor foi solicitada durante a operação, mas segundo a Polícia Civil, foi negada pela Justiça. A assessoria de imprensa da Prefeitura de Camaragibe informou que o político não comentaria as acusações.

“Podemos considerar que havia um risco à integridade física dessas pessoas. Elas recebiam mensagens de números diferentes que pediam para elas terem cuidado com a própria vida e para não darem carona a ninguém”, diz a policial responsável pelas investigações.

As ameaças, segundo Jéssica, aconteceram depois da divulgação de um áudio em que Meira convoca cargos comissionados para assistirem ao show de sua noiva, a cantora e secretária de Ação Social de Camaragibe, Taty Dantas. Na mensagem, Meira diz que vai contabilizar os servidores que comparecerem ao bloco Canário Elétrico, onde Taty Dantas se apresentou.

O prefeito e outras sete pessoas tiveram os bens bloqueados durante a operação. Uma delas é o secretário de Obras de Camaragibe, Silvano Queiroz. Outras pessoas ocupam cargos comissionados ou são ligadas às empresas da construção civil que firmaram contratos irregulares com o município de Camaragibe.

Além das ameaças, a investigação também buscou apurar as irregularidades encontradas em 9 contratos auditados pelo Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE). Os contratos são de 2017, do setor de engenharia, referentes à manutenção predial e preventiva de escolas municipais.

“Encontramos serviços que não foram prestados, contratos mal elaborados, cláusulas omissas e fraudes em licitações”, explica o auditor Paulo Henrique Cavalcanti, gerente de auditoria de obras municipais do TCE. Somados, os contratos resultam em R$ 33 milhões.

No setor metropolitano, o TCE também investiga irregularidades em contratos que somam R$ 31 milhões para a compra de medicamentos, suplementos hospitalares, material gráfico, merenda e locação de imóveis. “Também estamos auditando e encontrando irregularidades do mesmo tipo”, diz o auditor Elmar Pessoa, gerente regional da Metropolitana Sul do TCE.

Ciente das irregularidades contratuais, a Polícia Civil passou a investigar o prefeito, secretários e assessores técnicos, além empresas que prestaram serviços ao município. Ao todo, 20 servidores públicos e sete empresas privadas são alvo das investigações.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, na terça (26), policiais encontraram 100 pastas com diversos documentos que não poderiam sair da prefeitura na residência de Demóstenes Meira, em Gravatá, no Agreste. Também foram apreendidos carros, itens de luxo e computadores de outros endereços.

A Operação Harpalo também emitiu duas medidas protetivas para preservar a integridade de testemunhas e duas suspensões de atividades empresariais, de empresas do setor de construção civil.

Apesar de a Polícia ter solicitado a prisão preventiva do gestor da cidade, o pedido foi negado pelo desembargador Mauro Alencar. “Ele entendeu que, por serem contratos de 2017, não havia mais danos ao erário público”, diz a gestora do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Silvana Lélis.

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