Primeiro dia de aumento no metrô é marcado por protesto

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O aumento de quase 90% nas passagens do metrô do Recife, que entrou em vigor na última sexta (11), pegou muitos passageiros de surpresa. O reajuste já vinha sendo noticiado, mas muita gente descobriu que pagaria mais apenas na bilheteria. “Fiquei sabendo agora, é um absurdo isso. Moro no Cabo de Santo Agostinho e trabalho em Olinda, não sei se terei como vou bancar esse aumento”, comentou o soldador Uilton Cipriano, um dos usuários entrevistados.

Na manhã na sexta, o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) e o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Informal (Sintraci) e membros da Frente de Luta Pelo Transporte Público fizeram um ato que começou na estação Central do metrô do Recife e seguiu até a Assembleia Legislativa de Pernambuco. O objetivo do grupo é reverter o reajuste de R$ 1,60 para R$ 3 e conseguir assinaturas de pelo menos 17 deputados estaduais para que seja aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue o transporte público oferecido em Pernambuco.

Na bilheteria, todos os passageiros abordados disseram que não sabiam do aumento, como explicou o vigia Marcelo Chaves. “O transporte público é muito caro e ruim, por isso prefiro usar bicicleta”, comentou. Para o presidente do Sindmetro-PE, Getulio Basilio, o aumento pode inviabilizar a utilização do modal pelos trabalhadores. Nos cálculos do soldador Uilton, por exemplo, os custos com transportes passarão da média de R$ 100 por mês para R$ 250.

O superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), Leonardo Villar já havia explicado que “havia dificuldades sobre como o reajuste da tarifa seria aplicado, já que desde 2012 o valor era mantido”. A CBTU já havia informado que as tarifas ficariam mais caras, além do Recife, em Belo Horizonte, João Pessoa, Natal e Maceió. A capital pernambucana ficou com o segundo maior reajuste, atrás apenas de Belo Horinzonte, onde a tarifa ficou R$ 3,40 mais cara.

Para justificar o aumento, a CBTU informou que “a recomposição das perdas inflacionárias reflete em valores inferiores aos praticados pelo sistema rodoviário e visa o equilíbrio entre o custo operacional e o preço pago pelo usuário, bem como a manutenção do caráter social do serviço metroferroviário prestado”.

Comércio ambulante
Jô Cavalcanti, do Sintraci, disse que a entidade já avalia os prejuízos para os ambulantes porque acredita que o aumento das passagens interferir nas vendas. De acordo com Jô, na Região Metropolitana do Recife (RMR), em torno de 1,5 mil vendedores ambulantes atuam no transporte público.