Projeto do Pró-Criança alfabetiza a garotada

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Quando perguntado como seu nome é escrito, Cauê o soletra com muita segurança, como se fosse algo óbvio. No entanto, ele só aprendeu a escrevê-lo há pouco tempo, por meio do projeto “Alfa 90”, oferecido pelo Movimento Pró-Criança. Com 11 anos, cursando o 3º ano do ensino fundamental, Cauê Vinícius Gomes tem dificuldades não só na escrita, mas na leitura das palavras. Ele se enquadra na classificação de analfabeto funcional – aquela pessoa que possui incapacidade de decodificar minimamente letras, frases, números e não desenvolvem a habilidade de interpretação de textos. Apesar de hoje ser celebrado o Dia Nacional da Alfabetização, os índices do analfabetismo ainda assombram o País. Segundo dados do 2º Ciclo de Monitoramento das Metas do Plano Nacional de Educação (PNE), 16,6% dos brasileiros são analfabetos funcionais.

“No Movimento Pró-Criança, temos jovens com sérios problemas de leitura. Eles até dialogam bem, porém, na hora de escrever e montar frases, as dificuldades surgem”, afirmou o coordenador do Alfa 90, professor Marcos Quino, que atua na Unidade dos Coelhos. A missão de reverter essa situação tem sido um verdadeiro “trabalho de formiguinha”, isso porque o analfabetismo não está ligado à formação dada na escola, que nesse cenário, tem sido apontada como deficitária.

“Uma sala de aula com quase 40 alunos, é normal que o professor siga o conteúdo planejado e não trabalhe com esses casos isolados. Então, até aqueles que não acompanham com o mesmo nível o ritmo da turma, passam de ano”, critica Quino. Outro problema é a relação familiar e fazê-los entender que são atores fundamentais na aprendizagem desses jovens. “A criança chega aqui sem uma referência da importância da leitura. Como muitas delas moram em comunidades carentes, é comum ver pais ou responsáveis que já amanhecem procurando o seu sustento e não se preocupam se a criança está sabendo escrever”, declarou o educador.

“Aprender a ler e escrever está sendo muito legal. Também melhorei meu desempenho na escola”, declarou Cauê, meio sem jeito apesar de orgulhoso da sua evolução no Alfa 90. Para Thiago José Souza, 12, que cursa o 4º ano do fundamental, a maior dificuldade era formar as palavras e dar um significado a elas. “Gosto muito das atividades aqui, não sabia ler direito e tenho melhorado com as aulas”, revelou.

A professora Selma Alves, também pertencente à unidade do Pró-Criança nos Coelhos, ressaltou que, além de possibilitar um novo universo, ao serem alfabetizadas corretamente essas crianças melhoram sua autoestima e ganham mais confiança. “Nosso projeto foca, principalmente, nas crianças fora da faixa etária nas escolas. Detectamos que muitas dessas escolas não acompanham esses problemas de perto. Quando você ensina uma criança a ler, ela enxerga o mundo de outra maneira”, afirmou.

O método Alfa 90 foi implantado neste ano, no mês de maio, pela instituição e beneficia 52 alunos, de 8 a 12 anos. A ideia é alfabetizar o aluno em 90 dias. A proposta é trabalhar o alfabeto e as composições silábicas uma hora por dia, cinco vezes por semana, de forma lúdica e com jogos. A cartilha e todo material didático são fornecidos gratuitamente aos estudantes. Com o resultado positivo sendo alcançado, o projeto continuará em 2019 e uma nova turma será aberta em fevereiro. Além disso, o Pró-Criança quer estreitar o relacionamento entre a família e a comunidade escolar para fortalecer a luta pela erradicação do analfabetismo.

Para participar do Alfa 90, os jovens precisam estar matriculados em outras atividades da ONG, como balé, judô, canto coral, robótica e musica. E para participar dessas atividades, é necessário que os pais ou responsáveis compareçam em um dos espaços (Coelhos, Piedade e Recife Antigo) portando identidade (RG), certidão de nascimento, CPF, comprovante de residência e foto 3×4 .

Matrículas abertas
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), no módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, em 2017, o número de analfabetos no Brasil é de 11,5 milhões de pessoas. Dentro desse cenário, o maior percentual pertence a pessoas com mais de 60 anos – em 2017 era de 19,3%. Para mudar essa dura realidade, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) – modalidade destinada a pessoas com 15 anos ou mais que estudam na rede municipal no período noturno – está com matriculas abertas durante todo o ano. Para se informar, basta ir até à escola municipal mais próxima de sua residência ou trabalho e solicitar informações pelos telefones (81) 3355-5991 e 3355-5960.

(Correção: ao ser publicado, este texto continha um erro nos números do IBGE, no último parágrafo. A informação foi corrigida às 9h40 desta quarta-feira (14).)

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