Racionamento de água é ampliado em quatro cidades do Grande Recife e afeta mais de 500 mil pessoas

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Mais de 500 mil pessoas passam a ficar mais um dia sem água por causa da ampliação do racionamento implantada, a partir de sábado (18), pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). A mudança afeta localidades em Olinda, Paulista, Abreu e Lima e Igarassu, cidades situadas ao norte do Grande Recife e abastecidas pelo Sistema Botafogo.

As áreas afetadas nesses municípios (veja tabela ao fim do texto) passam a ser abastecidas por um dia e ficam outros seis sem água. Antes, os moradores tinham cinco dias sem água e um com abastecimento.

Segundo a Compesa, o objetivo da mudança é preservar a água da Barragem de Botafogo, em Igarassu, durante o 10º ano de chuvas abaixo da média na região. O reservatório tem 4,9 milhões de metros cúbicos disponíveis, o que equivale a 17,82% da capacidade total, que é de 27,5 milhões de metros cúbicos.

A mudança não tem previsão para acabar, mas não deve afetar o abastecimento durante o carnaval, segundo a Compesa. A companhia informou que, nos dias da folia, é montado um esquema especial, anunciado próximo à data da festa, que ocorre no início de março em 2019.

De acordo com o diretor técnico e de engenharia da Compesa, Rômulo Aurélio Souza, no sistema de abastecimento da região afetada pelo racionamento, a Barragem de Botafogo fornecia 27% da água que chega à área. Com a mudança, ela passa a destinar 7,8% da água que segue para a região. O restante sai de outras formas de captação, como rios e conjunto de poços.

“Antes conseguíamos ofertar 1.130 litros por segundo, tirando 300 litros por segundo da barragem. Agora, a oferta é de 900 litros por segundo, porque tivemos que diminuir a produção da barragem para 70 litros por segundo. A mudança no calendário foi necessária porque os rios não oferecem capacidade maior de captação”, afirma.

Apesar da situação da Barragem de Botafogo, a Compesa não prevê mudanças nas outras áreas do Grande Recife, porque os níveis do Sistema Pirapama estão acima de 60% de sua vazão total.

“Além de Botafogo, a Barragem de Gurjaú, no Cabo de Santo Agostinho, está seca. Para compensar essa deficiência, aumentamos a vazão de Pirapama com uma quinta bomba e o resultado deve ser visto nos próximos dias. Só não podemos pôr a água de Pirapama para a região norte porque não tem tubulação para isso”, diz Simone Albuquerque, diretora regional metropolitana da Compesa.

Ainda segundo Simone, duas obras são realizadas para interligar as barragens e melhorar a situação do abastecimento no Grande Recife.

“Uma mudança é para direcionar a água do Sistema Alto do Céu para a região norte, que conta com 7,4 quilômetros de tubulações e R$ 10 milhões de investimento. Deve ficar pronta em junho de 2020. A outra é o Olinda Mais Água, que tem investimento de R$ 152 milhões e consiste na troca de 140 quilômetros de tubulações e outras intervenções. Esse programa deve ser finalizado em 2121”, explica.

Chuvas
Segundo Patrice Oliveira, gerente de Meteorologia e Mudanças Climáticas da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), além do baixo índice de chuvas registrado no Sistema Botafogo, o problema verificado na barragem é que, mesmo em tempos chuvosos, as precipitações não ocorrem na bacia de captação do sistema.

“Temos um problema de chuvas principalmente na Mata Norte, que teve um decréscimo de 40% na média de chuvas. A perspectiva de chuvas é boa para os próximos meses, mas, se não chover na bacia, a barragem não enche. Vamos ter chuvas, mas isso não quer dizer que vai ter água nos mananciais imediatamente”, afirma.

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