Semáforos inteligentes chegam em 2019 ao Recife, mas já dividem opiniões

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Os semáforos inteligentes, aqueles em que a duração do sinal verde é definida em tempo real de acordo com tráfego, devem chegar no Recife em 2019. Ele é diferente dos atuais equipamentos, com duração pré-programada. Já foram feitos testes há dois anos, mas a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) ainda precisa concluir o processo licitatório para implantá-lo na Capital. Enquanto isso, em Caruaru, no Agreste do Estado, a previsão da Autarquia Municipal de Defesa Social, Trânsito e Transportes (Destra) é que os semáforos entrem em operação até o fim do deste ano.

Essa tecnologia, no entanto, divide a opinião entre motoristas e pedestres. Atualmente, existem três sinais desse tipo funcionando na Grande Recife: Abreu e Lima, Olinda e Cabo de Santo Agostinho. No caso de Abreu e Lima, ele está na BR-101, sentido Paraíba/Recife, perto do templo da Assembleia de Deus. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) afirma que a tecnologia deu um ganho de 30% a 50% na velocidade média dos veículos por lá, ajudando a diminuir congestionamentos.

O motorista Sérgio Henrique atesta a melhora. “Quando eu passava por aqui era muito engarrafamento”, relembra. O ganho para os veículos não foi tão comemorado por pedestres. “Esse semáforo foi bom, mas demora muito para abrir (para os pedestres). Deveria melhorar esse tempo para o pedestre”, diz o comerciante Josias Paulo da Silva.

E é fato: no semáforo de Abreu e Lima, o tempo para atravessar mal chega a 12 segundos. Já os carros têm mais de três minutos. Os testes feitos com os semáforos no Recife, há dois anos, apresentaram benefícios e falhas. Presidente da CTTU, Taciana Ferreira rememora o assunto. “Em uma situação muito crítica, esses semáforos não funcionam. Quando há um alagamento ou acidente, por exemplo. Em um cruzamento, acaba sacrificando muito uma via em detrimento da outra”, pondera, alertando que nem todo local é apto para receber um.

Na Cidade, os experimentos foram realizados nas avenidas Norte, Recife e Abdias de Carvalho. O uso dos semáforos inteligentes foi defendido pelo engenheiro civil Stênio Cuentro no Seminário Regional de Mobilidade Urbana nos Municípios semana passada. “É importante modernizar os semáforos do Recife”, explica.

A tecnologia
Como já explicado, os semáforos inteligentes definem a duração do sinal verde em tempo real, de acordo com a situação em que a rua/cruzamento se encontra. Cada empresa usa uma tecnologia distinta. Há aquelas que sincronizam o tempo analisando o congestionamento por câmera. Outras que usam um laço embutido no pavimento.

E também as que usam ambos. Uma delas, a Sinalvida, utilizando equipamentos Digicon, foi responsável pela implantação em Abreu e Lima, Olinda e Cabo. “Temos três casos de utilização do tempo real de grande sucesso. Quando fizemos o teste no Recife, na Abdias de Carvalho, perto da Chesf, também tivemos muitos ganhos”, afirma o diretor Luiz Beltrão.