Seminário aponta soluções de mobilidade para o Recife

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Imagine o Recife com um metrô com mais linhas, semáforos inteligentes e rodízio de trânsito. Essas foram algumas ideias apresentadas no Seminário Regional de Mobilidade Urbana nos Municípios, ocorrido nessa terça-feira (19) na sede da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), no Recife. Apesar da ausência de muitos representantes convidados para debater o assunto, a ideia foi elaborar um documento com propostas de mobilidade para serem entregues aos candidatos ao Governo do Estado em breve.

A ampliação da malha metroviária foi ponto analisado como de médio prazo. Presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis de Pernambuco (Abenc-PE), o engenheiro civil Stênio Cuentro alertou. “O Recife ainda tem várias vias abertas, que são da antiga malha ferroviária. Daqui a pouco, a ocupação urbana vai tomar conta desses locais, e o custo de implantação irá disparar”, alega, citando o exemplo do Rio de Janeiro, que gastou muito dinheiro com a desapropriação de casas erguidas nesses terrenos.

O superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU Recife), Leonardo Villar Beltrão, admitiu a existência de estudos de expansão da linha férrea, mas que ainda são muito prematuros. Entre as possibilidades concretas, estão ligações entre as estações Werneck, em Jardim São Paulo, e Aeroporto, na Imbiribeira; e entre a estação Camaragibe e a cidade de São Lourenço da Mata.

“Tem vários trechos que, se o metrô for implantado com antecedência, a gente faz com baixo custo. Só com o transporte metroviário de massa você consegue resolver o problema da mobilidade em uma grande cidade, claro, junto a outros modais”, ponderou Leonardo. O gestor ainda admitiu a possibilidade de esticar o sistema até Olinda. Mas, por ora, só há estudo concreto com o trecho Werneck-Aeroporto, que atualmente serve para os trens chegarem ao local de manutenção.

Medidas de curto prazo
Stênio Cuentro foi pragmático em sua apresentação ao elencar pontos urgentes, simples e de curto prazo que poderiam ser utilizados para melhorar o tráfego na capital. Por exemplo, rodízio de carros, estímulo às faixas azuis e caronas solidárias, modernização da programação semafórica, treinamento de agentes de trânsito para situações emergenciais de trânsito e uma integração entre os serviços de monitoramento, como os da Autarquia de Trânsito e Transporte (CTTU) e da Secretaria de Defesa Social (SDS).

“Vou usar um exemplo. No dia do apagão, o trânsito virou um caos, as ambulâncias não andavam e o transporte público parou. Por quê? Ao faltar luz, os semáforos não tinham bateria e a Prefeitura, que deveria estar orientando o público, não apareceu. Os agentes de trânsito tinham que ter treinamentos específicos para agir de imediato em situações como essas”, apontou Stênio.

A presidente da CTTU, Taciana Ferreira, afirmou que já existem sistemas de emergência para casos extremos. “Há plano operacional. Mas, no caso específico do apagão, houve dificuldade no deslocamento das equipes”. No caso dos semáforos, ela alegou que o tempo do apagão foi maior do que as baterias aguentavam. “O tempo de operação da bateria é de, no máximo, três horas. Teve lugar que o apagão durou mais. Por isso enfrentamos esse problema”.

Taciana relatou que já existe comunicação entre as centrais da CTTU e da SDS. “Nossa central de operações se comunica diretamente com a SDS. Nossas câmeras, como fazem bom reconhecimento de placa, quando identificamos uma situação de roubo, repassamos logo pra eles. Assim como eles nos passam informações de acidentes em locais que nossas câmeras não chegam”, concluiu.

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