Série: Cruz do Patrão e Arquivo Público estão entre os protegidos por Conselho

61

No último dia da série sobre o acervo arquitetônico tombado pelo Conselho Estadual de Prevenção do Patrimônio Cultural, a reportagem mostra a situação de três prédios no Centro do Recife e outros três localizados no município do Brejo da Madre de Deus, no Agreste. Na edição de Cotidiano da segunda-feira (15), a Folha trouxe o cenário no qual se encontra a igreja Matriz de São José. Fechado há cinco anos, o templo e os fiéis clamam por reforma..

Museu de Brejo da Madre de Deus

Só no município do Brejo da Madre de Deus, no Agreste pernambucano, três bens tiveram seus valores históricos e culturais reconhecidos pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural. Entre eles, o conjunto arqueológico pré-histórico formado pelos sítios Pedra do Letreiro e Furna do Estrago, situados na encosta norte da Serra da Boa Vista (também chamada Serra do Estrago). Só no sítio arqueológico Furna do Estrago, por exemplo, escavações realizadas na década de 1980 revelaram um cemitério indígena onde foram recuperados 83 crânios que hoje estão no acervo do Museu de Arqueologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Um desses crânios é o do “flautista”, uma das peças mais emblemáticas do museu e que terá seu rosto revelado pela ciência no próximo dia 24 de abril, conforme matéria veiculada pela Folha de Pernambuco em março deste ano.

Outro bem a entrar no rol de patrimônios tombados do Estado é o Museu Histórico do Brejo da Madre de Deus, situado na rua São José. Ainda no Agreste pernambucano, considerou-se também o conjunto urbanístico formado pelas casas de número 23, 39, 49, 57, 65 e 71, da rua Cardeal Arcoverde, no centro de Pesqueira. Ícone da arquitetura de Pesqueira, o conjunto foi o primeiro arruamento do município, ainda por volta de 1800, e possui um importante papel em sua estrutura urbana.

Apesar do progresso, o lugar manteve fortes traços de seus aspectos originais de arquitetura neoclássica brasileira: casarios com platibandas corridas e decoradas; fachadas marcadas por janelas (em arcos abatidos, arcos plenos, arcos ogivais) e coberturas de duas águas em telha canal, além de calçadas altas. Na Ilha de Itamaracá, no Litoral Norte, ganhou destaque o antigo Engenho São João Alfredo, datado de 1747. Constituído por capela (demolida no início deste século) e casa grande, a atual casa teria sido edificada em 1790 sobre as ruinas da edificação anterior. Sua fachada atual data de 1857, em estilo neoclássico. Foi na casa grande, de propriedade de seus avós, que nasceu em 1835 o Conselheiro João Alfredo Correa de Oliveira, depois ministro do império.

Por fim, na Região Metropolitana, foi contemplado o Engenho Monjope, em Igarassu. Propriedade rural de grande valor histórico, por ainda existir os edifícios característicos de um engenho: casa-grande, capela, senzala, moita (fábrica) e a casa do capitão-do-mato. O acesso é feito por meio da BR-101, sentido Goiana-Recife, e pela estrada do Monjope.

Cruz do Patrão

Marco de balizamento náutico da entrada da barra do Porto do Recife, às margens do rio Beberibe, reina a Cruz do Patrão. O monumento histórico, datado do século 18, é uma coluna de alvenaria construída em estilo dórico, com seis metros de altura e dois de diâmetro. No topo há uma pequena cruz de pedra, o que a torna semelhante ao “bispo” do jogo de xadrez.

Nada conta-se de positivo sobre a construção da Cruz do Patrão. Sabe-se que verdadeiramente na época da escravidão, os negros escravos que desembarcavam em Pernambuco, usavam a cruz para realizar seus rituais em pró de entidades de umbanda e magia negra. Os escravos sentiam a energia poderosa que emanava do lugar. Inclusive, em uma das escavações realizadas no lugar, descobriu-se um cemitério clandestino bem abaixo da cruz, onde os donos de navios negreiros enterravam os escravos.

Arquivo Público Estadual

Com quase 285 anos de existência, o prédio que abriga atualmente a sede do Arquivo Público Estadual, na rua do Imperador Pedro Segundo, no bairro de Santo Antônio, no Recife, já hospedou a Casa de Câmara em meados de 1824, a Cadeia do Recife até 1855 e a Biblioteca Pública Estadual até 1975.

O edifício foi remodelado e o seu exterior recebeu elementos decorativos com o estilo neocolonial, mantendo-se a identidade arquitetônica anterior. Com a saída da Biblioteca Pública Estadual, que ocorreu quando foi inaugurada a sua atual sede, no Parque Treze de Maio, o prédio passou a ser ocupado pelo Arquivo Público Estadual. O Arquivo Público foi criado para evitar a destruição dos documentos do Governo de Pernambuco e abrir um espaço para a população ter acesso às informações e documentos históricos.

Casario da rua da União

Na rua da União, no bairro da Boa Vista, no Recife, restam as últimas testemunhas do período colonial na Capital pernambucana. O conjunto urbano do século 19 é formado pelas casas de número 47, 55, 61 e 73 e, mesmo após passar por alguma reforma, preservaram a sua principal característica: as camarinhas, pequenos quartos com janelas situados no pavimento superior de construções típicas à época colonial.

Das quatro casas conjugadas, entre a avenida Conde da Boa Vista e a rua do Riachuelo, a de número 61 se destaca entre as demais por estar com a fachada bem conservada nas cores bordô e branca. Já a 73 contrasta-se dos outros casarios por ser a que menos resistiu à ação do tempo. Hoje sem uso algum e de portas fechadas, a pintura da fachada está bastante comprometida, descascando-se, principalmente, na parte inferior do imóvel.

Deixe seu Comentário!